
Texto extraído do site da Bibliotrónica Portuguesa:

Confesso, não sou grande apreciador do humor dos Gato Fedorento. Ainda que constantemente comparados aos Monty Python (que, como toda a gente sabe, são deuses), continuo sem estar muito convencido. Vem isto a propósito de um livro que reúne crónicas do Ricardo Araújo Pereira, recentemente lançado. O Ricardo é, apesar de nem sempre lhe achar muita graça, uma das pessoas mais interessantes do panorama mediático português, e reconheço no seu humor qualidade e exigência. Mas nem sempre lhe acho graça, pronto.

[Thomas More]
Via De Rerum Natura vem a notícia de que o Thíasos, grupo de teatro do Instituto de Estudos Clássicos da Universidade de Coimbra, leva à cena o Agamémnon de Ésquilo, no dia 31 de Outubro, às 21h30, no Teatro da Cerca de São Bernardo (Pátio da Inquisição, Coimbra). A entrada é livre, por isso não há desculpas para faltar! O Thíasos continua a reviver o teatro clássico, fazendo-o com uma qualidade e profissionalismo raros em grupos amadores. A não perder.
O P.E.N. Clube decidiu atribuir ao professor José Pedro Serra, do Departamento de Estudos Clássicos da FLUL, o prémio de Ensaio relativo a 2006, pela sua obra Pensar o Trágico (Fundação Calouste Gulbenkian). Este prémio é uma enorme satisfação para todos nós que prezamos e cultivamos as coisas clássicas.
Divulgo e-mail recebido de Delfim Leão, da Universidade de Coimbra:
[Santo Agostinho refutando os heréticos. Iluminura de manuscrito M92, da Morgan Library, Nova Iorque]Descoberto tesouro romano com milhares de moedas
Estação arqueológica no concelho da Meda escondia na parede da casa de um antigo ferreiro um tesouro em moedas de cobre e bronze
Um tesouro monetário romano do século IV, com 4526 moedas, foi encontrado no sítio arqueológico do Vale do Mouro, Coriscada, concelho de Mêda. Segundo o arqueólogo António Sá Coixão, as moedas de cobre e bronze estavam escondidas numa parede, "juntamente com objectos de ferro, provavelmente na casa que teria pertencido a um ferreiro".
O achado foi feito na quinta-feira passada, no último dia da campanha arqueológica que estava a decorrer desde Julho, adiantou o responsável pelas escavações. "Estava no local com dois homens, já a elaborar os desenhos finais, mas mandei fazer uma sondagem", contou António Sã Coixão.
"Os homens começaram a abrir uma vala e um deles chamou-me a atenção dizendo que estavam lá umas paredes e foi nessa ocasião que encontrámos as moedas escondidas", recordou o arqueólogo, acrescentando que o espólio estava "dentro de um saco de serapilheira, o que é uma coisa para o inédito". Segundo explicou, quem escondeu o "tesouro" executou "um alinhamento de pedras, colocou as moedas no interior de um saco de serapilheira, deitou uma camada de terra e, por cima, disfarçou com ferragens diversas (uma foice, uma picareta, argolas para lareira, duas chaves) e mais terra, para as pessoas pensarem que era uma tulha de ferreiro".
"O dono das moedas enterrou-as no local, mas depois terá morrido e já não as desenterrou, tendo elas permanecido escondidas até agora", supõe o arqueólogo.
António Sá Coixão mostra-se surpreendido com o achado, constituído por um número "invulgar" de moedas. Já tinha encontrado outro "tesouro" de menor grandeza, composto por 414 moedas, durante prospecções em Freixo de Numão (Vila Nova de Foz Côa). Todavia, observou, que "os tesouros romanos são encontrados nos sítios mais esquisitos".
O espólio tem "um valor muito grande", tendo em conta a futura musealização do sítio arqueológico e a criação de um museu onde todo o material ali encontrado será mostrado. As 4526 moedas, aponta o arqueólogo, "têm que ser rapidamente inventariadas", para o que serão contactados especialistas que as irão estudar, limpar e inventariar, como aconteceu com o achado de Freixo de Numão.
"Não podem ficar fechadas num cofre, têm que ser preservadas", defendeu, esclarecendo que "as moedas de bronze conservam-se melhor, mas as de cobre estão muito deterioradas".
Na campanha arqueológica deste ano participaram meia centena de arqueólogos, técnicos e alunos de arqueologia de universidades do Porto, Polónia, Sérvia, Jugoslávia, Itália e Espanha.
Nas duas ultimas campanhas arqueológicas foram encontradas diversas áreas revestidas com mosaico policromado idêntico ao de Conímbriga, o que revela a importância do sítio romano do Vale do Mouro. No ano passado foi descoberta uma sala com seis metros quadrados e, este ano, um corredor em L e mais duas salas (uma delas aquecida) também revestidas com mosaicos policromados.
O mosaico está decorado com figurações humanas, geométricas e florais "com seis a sete cores", disse Sá Coixão. O achado datará da segunda metade do séc. III e primeira do séc. IV. Faz parte da área envolvente do complexo do balneário romano que começou a ser estudado em 2002. "Estamos perante uma vila de dimensões muito grandes.
Já escavámos muito, mas ainda estamos muito além daquilo que é o vicus [aldeia] ou vila romana."

Notícia do Público Online:Descobertas 16 anos depois do grande terramoto de 1755 no subsolo da Baixa de Lisboa, durante os trabalhos de reconstrução da cidade, as galerias romanas terão sido edificadas entre o século I a.C. e o século I d.C., tendo em conta as suas características arquitectónicas e construtivas.»
Integrado na exposição Tesouros do Museu Benaki, decorre na sede da Fundação Calouste Gulbenkia o ciclo de conferências As Luzes da Grécia. A coordenação é da professora Rocha Pereira, e os conferencistas são, além da própria, os professores José Ribeiro Fereira, José Pedro Serra e Rui Morais. O programa pode ser consultado aqui.
Está patente na Galeria de Exposições Temporárias do Museu Calouste Gulbenkian a exposição Os Gregos. Tesouros do Museu Benaki. A exposição foi inaugurada hoje, 27 de Setembro de 2007, e decorrerá até 8 de Janeiro de 2008.“Deixemos de lado as reformas organizativas anunciadas pela ministra da Educação e a abertura tipo choque tecnológico do ano escolar e concentremo-nos no aspecto mais importante do ensino, isto é, na sua qualidade. Atente-se nestes três factos: o anúncio de que a disciplina de Filosofia deixará de ser necessária para aceder ao Ensino Superior, a estranha mistura entre Literatura e Ciências Sociais e a provável extinção, para acesso a certos cursos, do Latim e do Grego. Sou licenciada em Filosofia, para o que, no final do Secundário, tive de me submeter a exames nestas duas línguas mortas. Por razões que não vêm ao caso, não fui boa aluna, mas sinto a falta de conhecimento destas matérias. Há mais de cem anos, no romance Hard Times, Charles Dickens fazia troça de Mr. Gradgrind, para quem no mundo só havia “factos, factos, factos”.
Apesar de baseada numa concepção mutiladora do homem, era, e é, uma ideia popular. Mas a escola não pode ficar reduzida à formação de autómatos capazes de meter um chip num telemóvel. Se desejo que os estudantes aprendam Filosofia, que saibam apreciar um romance e que alguns até dominem o Latim e o Grego é por pensar que aquilo que, a partir de agora, só estará acessível a uma elite o deveria estar a todos. É verdade que, ao longo dos anos, a vida material dos portugueses melhorou, mas terá acontecido o mesmo, e na mesma extensão, à vida intelectual? A resposta é negativa.
A responsabilidade reside nos 26 ministros da Educação que, desde 1974, ocuparam a pasta. Todos, de esquerda e de direita, confundiram elitismo intelectual e exclusivismo social, o que os levou a recusar que a igualdade de oportunidades pudesse ser obtida sem que o nível de exigência do ensino baixasse. Se as disciplinas humanísticas forem extirpadas dos curricula, os nossos filhos e netos terão uma vida mais esquálida do que a nossa, porque lhe teremos dado a ilusão de que eles “sabem”, sem lhes termos oferecido os instrumentos necessários à compreensão do Mundo. É para isso que serve a Filosofia.”

«El Hacedor


No âmbito da iniciativa espanhola para a valorização do património cultural subaquático, o objectivo era encontrar alguns vestigios arqueológicos e aumentar o volume de documentação sobre a geofísica da baía de Cartagena. No fundo do mar, entre algumas âncoras romanas e dois barcos dos séculos XIX e XX, estava um navio romano do século I a.C. em bom estado de conservação.
"Um barco não é uma descoberta pouco frequente, mas é muito importante. Estes barcos preservam muitas vezes as cargas que são muito interessantes em termos arqueológicos", disse Carlos Batata, especialista em arqueologia romana. "Estes navios faziam a ligação comercial entre Roma e a Península Ibérica e permitem conhecer melhor o comércio da altura", disse.
A iniciativa partiu Museu Nacional de Arqueologia Marítima e do Centro de Investigacões Arqueológicas Submarinas e teve o apoio técnico e logístico da Aurora Trust, uma organização norte-americana sem fins lucrativos que ajuda países, instituições e empresas privadas a explorar o oceano e todos os recursos culturais, biológicos e físicos submersos.
O PUBLICO.PT perguntou a Carlos Batata o que se faz com um barco afundado há mais de dois mil anos: "É feita uma escavação como se se estivesse em terra. Faz-se a quadriculagem do espaço e recolhem-se os objectos, identificando as posições. Tiram-se fotografias e desenha-se o barco. Depois pode ser removido e há meios de conservação cá fora, mas a partir daí a deterioração é rápida".
"Em Portugal, os únicos vestígios subaquáticos encontrados foram algumas âncoras nas Berlengas", disse o especialista. "Suspeita-se que haja barcos destes afundados no Tejo porque os pescadores costumam encontrar alguns objectos na zona de Vila Franca de Xira. Ainda não se investigou a fundo, há falta de meios. Estamos a perder coisas únicas que vão sendo destruídas pelas actividades marítimas".»
Notícia no Público em linha.

Fica ali no Largo do Camões, em Lisboa, e chama-se "Sanitas". O nome é equívoco, e o cliente mais distraído poderá pensar que não terá sido o mais bem escolhido. "Ora essa", pensará, "então agora chamar 'Sanitas' a uma farmácia? Qualquer dia aparece-nos um supermercado 'Bidés'!". Mas o cliente que sabe Latim também sabe que o nome da farmácia nada tem de menos próprio: trata-se do substantivo sanitas ['sa-ni-tas], com o acento tónico na primeira sílaba, de onde vem o português sanidade, e da mesma família de, entre muitas outras, sanatório, sanar, sanear, sanitário, são e sim, sanita. O substantivo latino significa "saúde". Portanto, diga-se "farmácia Sánitas", e não "farmácia Sanitas", pois foi a pensar na primeira hipótese, não na segunda, que o nome foi escolhido. Espero eu.
Steven Saylor é um dos mais interessantes cultores do romance histórico na actualidade, concretamente na ficção de temática romana. Tornou-se conhecido graças à série Roma sub Rosa, onde se acompanha o estertor da República através das aventuras de Gordiano, uma espécie de detective privado avant la lettre. Com efeito, é difícil de distinguir a linha que separa o romance histórico da narrativa de mistério, nesta Roma sub Rosa. Gordiano é a personagem principal numa narrativa feita na primeira pessoa. Movimenta-se entre os notáveis do seu tempo: trabalha para Cícero contra Sula, bebe copos com Catulo, deixa-se seduzir por Clódia, priva com César e Cleópatra, é anfitrião de Catilina, incompatibiliza-se com Crasso... E em momento nenhum parece a forçada a narrativa de Saylor. As personagens têm alma, não se limitam a ser manequins numa reconstituição histórica. Aliás este é um dos pontos fortes de Saylor: os seus mistérios são verdadeiras aulas de História Antiga, sem que em momento algum sintamos que nos está a ser dada uma aula. Os dados históricos e culturais fluem naturalmente, num registo "toda a gente sabe isto, mas vamos lá recordar para os mais distraídos" que não viola nunca a hábil verosimilhança narrativa de Saylor.Memórias de Agripina recria em todo o seu fulgor os dias do Império Romano no século I da nossa era. A reconstituição é feita pela voz de uma mulher que foi imperatriz e mãe de Nero — uma figura de impressionante grandiosidade. Esta mulher solitária encarnou o sonho que viria a produzir o século de ouro da história do Império e a fundar e consolidar uma civilização universal cujo legado tem atravessado as eras. Agripina conta-nos as suas memórias, num tom que atinge por vezes uma grande densidade poética, em vésperas de ser assassinada pelo filho — as intrigas, os amores, a vida na corte, a impiedosa luta pelo poder e tudo o que contribui para fazer deste romance um retrato vivo da época.
| Vega | Cotovia |
1) Dois volumes, capa mole. 2) Badanas com informações erradas: Linha 2: Sâmnio por Solmona Linha 5: “declamação” – a retórica dos sofistas por oratória Linha 20: 9 a.C. por 8 d.C.; 3) Boa introdução, com dados importantes. 4) Notas em rodapé. 5) Subtítulos no corpo do texto. 6) Sem índice de mitos, mas há que ter em conta que este pode vir a ser introduzido no segundo volume. Como está, é difícil de localizar os mitos na obra. 7) Edição bilíngue. | 1) Um grande volume de 443 páginas; capa dura, fita marcadora, sobrecapa. 2) Mapas que localizam os “principais elementos geográficos citados”. 3) Introdução muito completa; fornece linhas de leitura. 4) Notas em rodapé. 5) Guia de leitura no canto superior da página, sem interferir no texto. 6) Índice remissivo de mitos e glossário no fim. Facilita incondicionalmente a localização dos mitos na obra. 7) A tradução segue fielmente a edição de R. J. Tarrant. |
O Ricardo já tinha dado a notícia, mas só agora me chega às mãos a novíssima tradução das Metamorfoses de Ovídio, traduzidas pelo querido amigo e colega Paulo Farmhouse Alberto. Ainda não tive tempo de ler um naco suficientemente grande, mas do que li até agora a tradução é excelente (nem outra coisa seria de esperar), e o português elegante e agradável. Aqui deixo os primeiros versos.