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segunda-feira, junho 02, 2008

Dicionário Editora de Latim-Português

Já está à venda a 3.ª edição do Dicionário de Latim-Português da Porto Editora. Relativamente à versão anterior, esta edição sai muito melhorada, depois de alguns anos de cuidada revisão, feita por classicistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

sábado, maio 17, 2008

Oxford Latin Mini Dictionary

Foi recentemente publicada uma nova edição do Oxford Latin Mini Dictionary, uma selecção das frases e máximas latinas (de autores antigos, mas também modernos) mais influentes na cultura ocidental, como por exemplo estas (retiradas daqui):
annus horribilis
annus mirabilis
Carpe diem
Cogito, ergo sum
Cui bono?
Dulce et decorum est pro patria mori
Et tu, Brute?
Lacrimae rerum
Mens sana in corpore sano
Nil carborundum illegitimi
Nil desperandum
O tempora, o mores
Quis custodiet ipsos custodes?
Tempus fugit
Vae uictis
Veni, uidi, uici

Muito recomendável.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Estudar os Clássicos (4): Pocket Oxford Latin Dictionary

A publicação do monumental Oxford Latin Dictionary, concluída em 1982, deixava ainda a necessidade de haver, baseado nele, uma versão reduzida, mais portátil e a preço mais acessível. Esta necessidade tinha ficado, desde 1969, bem delineada por R. H. Barrow, em recensão ao OLD (Greece and Rome XV).
É evidente que a versão de bolso não haveria de ter todas as informações que o OLD contempla, mas haveria de responder a necessidades básicas dos alunos para a interpretação e tradução de textos mais conhecidos. E James Morwood editou o Pocket Oxford Latin Dictionary, obra cuja versão encadernada toma o nome de Oxford Latin Desk Dictionary. Podemos ver aqui uma amostra para conferirmos a excelente mancha gráfica actual.
O dicionário original foi revisto em 2005. A edição “Desk Dictionary” tem 208 páginas de Latim–Inglês (os verbetes são traduções e não as explicações e notações filológicas que há no OLD; os exemplos são muito escassos) e, tal como a versão original, uma secção considerável de vocabulário de Inglês–Latim. É pequeno e leve, o que o torna extremamente portátil.
Outras secções serão bastante úteis para o utilizador: pronúncia do latim clássico, epítome gramatical, data e tempo romano, pesos e medidas, dinheiro, metros comuns, nomes históricos e mitológicos, nomes geográficos, escritores latinos, datas-chave na história de Roma, latim tardio e medieval e ainda mapas.
O leque cronológico de autores que podem ser traduzidos com este dicionário vai até ao século II d.C. Os significados são incisivos e precisos e algumas informações gramaticais revelam-se úteis.
Tal como o OLD, não tem entradas com remissões do tipo “legis ver lex”, mas essa ajuda pode ser recolhida no epítome gramatical.
Este é mais um instrumento de trabalho de grande qualidade, ao serviço dos classicistas anglófonos.


Estudar os Clássicos 1;
Estudar os Clássicos 2;
Estudar os Clássicos 3.

segunda-feira, setembro 03, 2007

Estudar os Clássicos (3): Oxford Latin Dictionary



Quando em 1982 saiu o último fascículo do magnífico1 Oxford Latin Dictionary (OLD), estava completo o trabalho iniciado em 1933 — a criação de um dicionário independente dos demais, feito a partir das fontes escritas (o que significou muitas vezes a reinterpretação dos textos, analisados a partir das mais recentes e fiéis edições críticas) e de inscrições originais. Trata-se de uma obra limpa dos “vícios” da filologia clássica oitocentista (sobre este critério, leia-se este texto).
O primeiro fascículo do dicionário saiu apenas em 1968, e os restantes foram saindo a ritmo mais ou menos regular, até estar totalmente pronto. O OLD conheceu vários editores, desde A. Souter (o primeiro), tendo o último sido Peter G. W. Glare. Teve sucessivas reimpressões e em 1996 saiu uma versão com corrigenda. A última reimpressão (a que se encontra actualmente no mercado) é de 2006 e corresponde aos mais elevados padrões de qualidade e clareza gráficas (aliás, o seu aspecto é baseado no monumental Oxford English Dictionary).
O dicionário haveria de se tornar a referência mais fiel, completa e rigorosa para a língua latina, com 2160 páginas e 40.000 entradas organizadas segundo um critério de evolução semântica.
É uma obra inultrapassável que não é só um dicionário de Latim–Inglês. É um dicionário de latim com a explicação — o que como se sabe é diferente de simples tradução — dos verbetes em inglês. E é esta característica que lhe confere mais profundidade de análise e utilidade na tradução e compreensão dos textos latinos.
Uma inovação da lexicografia foi a introdução de entradas com prefixos e sufixos latinos e uma “correcção” importante em termos científicos foi a não inclusão de j e v na grafia latina. Outro aspecto fundamental é a informação etimológica, pormenorizada, prestada de modo bem claro e sério.
O âmbito cronológico dos textos de que se serviu o dicionário é muito alargado: das origens do latim, até 200 d.C.: não inclui autores cristãos2, por isso, é uma obra para classicistas e não para medievalistas.
Outra nota importante: das suas 40.000 entradas, não fazem parte as “amigas do estudante”, como a que encontramos, por exemplo, no dicionário de Gaffiot3 (“luxi, parf. de lugeo et de luceo”). Isto porque o OLD não é um dicionário para principiantes, pelo contrário: os exemplos, muitíssimo abundantes (outra vantagem!) não estão traduzidos, além de que o preço é muito elevado.

Prepara-se, actualmente, mas sem data prevista de saída, a versão electrónica do OLD.

1“magnífico” segundo a origem etimológica (‘nobre, eminente, sumptuoso, magnificente’).
2Os estudiosos dessa época encontrarão no Dictionnaire latin-français des auteurs chrétiens, de Albert Blaise uma ferramenta para o seu trabalho. Teria sido, talvez, incomportável alargar tanto as datas — o dicionário ficaria imensamente grande.
3A última versão deste dicionário tem 70.000 entradas, mas muitas são, precisamente, remissões.

Estudar os Clássicos 1;
Estudar os Clássicos 2.

segunda-feira, junho 18, 2007

Mais dicionários




Na sequência do artigo do Ricardo, lembrei-me de uma relíquia que em tempos encontrei num alfarrabista do Bairro Alto. Uma forte chuvada tinha inundado a cave da loja, e o dono viu-se obrigado a vender ao desbarato todo o espólio, de modo a evitar que se estragasse. Por 500 escudos (cerca de 2,5€) comprei dois belíssimos dicionários, um de Latim-Português, outro de Português-Latim, ambos do início do século XIX. O interesse que me despertaram foi o da simples curiosidade. Tal como as gramáticas de Latim do século XVIII que na altura também comprei por um preço bastante acessível. Deixo duas imagens, como curiosidade.



Estudar os Clássicos (2): Latim

O segundo artigo que dedico ao estudo das línguas e literaturas clássicas e seus materiais tem como tema os dicionários de Latim. Falarei de gramáticas e de literatura latina noutros textos.

Os dicionários de Latim disponíveis em português são, sem excepção, feitos a partir de outros dicionários, o que significa que não só lhes copiam os erros, como também, por alta recreação, acrescentam outros.
1.º O Novissimo Dicionário Latino-Portuguez de F. R. dos Santos Saraiva é uma obra monumental, mas extraordinariamente desactualizada (data do início do século XX). Inclui palavras latinas que não existem em nenhum texto.
2.º O Dicionário Latino-Português de Francisco Torrinha é um clássico. Feito, sobretudo, a partir do dicionário de C. T. Lewis e C. Short (ele mesmo “Based on Andrews's edition of Freund's Latin Dictionary”), não alarga os significados muito além da época clássica, mas não era esse o seu propósito. É um bom dicionário.
3.º Conheço mal o Novo Dicionário Latino-Português de Francisco António de Sousa (edição actualizada e aumentada por José Lello e Edgard Lello, Lello & Irmão Editores, 1992), mas parece-me igualmente um dicionário bastante aceitável.
4.º O Dicionário de Latim-Português1 de António Gomes Ferreira foi-nos imposto pela máquina do “marketing” da Porto Editora. Sucessivas reimpressões nunca significaram melhorias na sua qualidade, que ficou intocável até há anos (2001, penso), quando o Departamento de Dicionários resolveu informatizar e embelezar as páginas do dicionário, retirando-lhe a autoria. As aplicações informáticas e o desdobramento de algumas entradas resultaram numa profunda confusão e em vários vocábulos fora da ordem alfabética. As quantidades trocadas, as escolhas editoriais não sistemáticas, etimologias absurdas, erros ortográficos, classificações gramaticais erradas e errada atribuição de autoria dos exemplos são alguns dos erros mais frequentes. Por vezes, são meras gralhas, mas em tratando-se de um dicionário, é no mínimo estranho que não seja um produto de inteira confiança. A segunda edição deste dicionário está, portanto, longe de ser aceitável. Curiosamente, é o único que se encontra disponível no mercado.
A Porto Editora prepara agora uma terceira edição totalmente revista e corrigida.

1 A pré-visualização disponível aqui não é a da segunda edição, mas da terceira, por sair e por retocar.