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quarta-feira, abril 08, 2009

sábado, novembro 15, 2008

Brevíssimo curso de literatura grega e latina


Já aqui se falou nisto, mas é sempre bom recordar: no âmbito das comemorações dos 20 anos da Cotovia, decorre amanhã o "Brevíssimo curso de literatura grega e latina", com Delfim Leão, Frederico Lourenço e Paulo Farmhouse Alberto. O evento tem lugar na sala Jorge de Sena do CCB, das 11h às 13h e das 15h às 17h.

sexta-feira, julho 04, 2008

Nova tradução dos Annales de Tácito

Saiu há semanas a nova tradução dos Annales de Tácito. Trata-se de uma obra escrita na segunda década do século II da nossa era e que conta a história de Roma a partir da morte de Augusto, seu primeiro imperador. Depois de Augusto, governaram em Roma Tibério, Calígula, Cláudio, e Nero. Infelizmente, perderam-se os livros que Tácito escreveu sobre Calígula e os que contam a história de Tibério, Cláudio, e Nero, encontram-se fragmentados. No entanto, há centenas de páginas para descobrir. Quem não sabe latim (e mesmo quem sabe) pode agora, com a tradução de J. C. Yardley, ter acesso ao texto de Tácito através de uma língua moderna.

A tradução, incluída na colecção Oxford World’s Classics, é das melhores já feitas a partir do latim. Anulando as dificuldades de interpretação e sintaxe que a tradução de A. J. Woodman copiava de Tácito, na versão de Yardley pode encontrar-se um inglês vivo e corrente, sem deixar de ser fiel ao original.

A edição é enriquecida com uma introdução e notas de Anthony A. Barrett, bibliografia, cronologia, mapa, glossários, e um índice onomástico.

 

Tacitus, The Annals: The Reigns of Tiberius, Claudius, and Nero, trad. J. C. Yardley («Oxford World's Classics», Oxford: Oxford University Press, 2008).

segunda-feira, junho 16, 2008

Terêncio, Comédias

Lançado em Abril, não deve deixar de ser lembrado neste espaço o primeiro volume da tradução das obras completas de Terêncio, comediógrafo latino. A edição, da Imprensa Nacional–Casa da Moeda, reúne algumas das traduções publicadas noutra editora (Edições 70) e algumas inéditas. A introdução é do Professor Walter de Medeiros.

sábado, maio 31, 2008

Conferência pelo Prof. Paolo Fedeli

Terá lugar no dia 11 de Junho, às 11:00h, na sala 5.2 da FLUL, uma conferência pelo Prof. Paolo Fedeli, subordinada ao título “O 4.º Livro dos Carmina de Horácio: poesia ou propaganda?”

quarta-feira, abril 02, 2008

Literatura Clássica e Portuguesa em Abril, em Torres Vedras

Decorre na livraria Livrododia - Centro Histórico, em Torres Vedras, uma série de sessões sobre literatura clássica e portuguesa. As sessões serão nos primeiros três sábados do mês, e apresentadas e moderadas por mim, e o companheiro "blogueiro" aqui do estaminé, o Ricardo, vai participar numa das sessões. Além disso, a noite de 24 de Abril será integralmente dedicada à poesia greco-latina.

O programa é o seguinte:

5 de Abril - 16 horas
Cristina Pimentel e Arnaldo Espírito Santo (ambos Professores Catedráticos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)
Sobre Trindade, de Santo Agostinho.

12 de Abril - 16 horas
Paulo Farmhouse Alberto (Professor Associado com Agregação da FLUL) e Ricardo Nobre (Investigador do Centro de Estudos Clássicos da UL)
Sobre Metamorfoses, de Ovídio e a recepção dos clássicos na Literatura Portuguesa de Oitocentos.

19 de Abril - 16 horas
José Pedro Serra (Professor Auxiliar da FLUL) e Ana Maria Tarrío (Professora Auxiliar da FLUL)
Sobre Tragédia Grega e a recepção dos clássicos no Humanismo Português.

24 de Abril - 22 horas
Sessão de Leitura de Poesia Clássica, festejando a Noite da Liberdade (programa a anunciar).

Blogue da Livrododia:
http://www.diariodeumlivreiro.blogspot.com/

domingo, março 09, 2008

Tácito na BBC Radio 3

Cornélio Tácito é o autor desta semana no programa Essay: Greek and Latin Voices, na BBC Radio 3.
Tácito (que viveu na segunda metade do século I d.C.; terá morrido por 117) é considerado o maior historiador latino. Escreveu sobre o início do império romano, dedicando os seus Anais aos principados de Tibério, Calígula (porção de texto actualmente perdida), Cláudio, e Nero. Nas Histórias, escreve sobre as guerras civis do ano 69 (“o ano dos quatro imperadores”, Galba, Otão, Vitélio, e Vespasiano), que ocorreram após a morte de Nero; a obra continuaria pelo principado de Tito, até Domiciano, mas só nos restam os cinco primeiros livros. Escreveu ainda um tratado sobre os povos da Germânia (Germânia), a biografia do seu sogro (Agrícola), e, advogado e orador exímio, um diálogo sobre a decadência da oratória (Diálogo dos Oradores).
Foi a prosa de Tácito que moldou a nossa visão dos imperadores romanos, bem como a do senado e da corte imperial. No entanto, e no âmbito dos estudos literários, o seu valor reside principalmente na concepção das suas personagens (individuais, mas também colectivas), e no seu estilo inconfundível (e difícil). Em Tácito, lemos a incerteza do Homem e da condição humana, a profundidade psicológica das personagens, que é a nossa, conhecemos o maior vilão a ser redimido ou o grande herói a perder a coragem à hora da morte. Há também a rectidão de princípios e a aceitação da morte com a maior das dignidades em personagens como Trásea Peto. Lições de vida. Tácito foi o autor que escreveu os acontecimentos do nosso imaginário (como o grande incêndio de Roma, ou a vida militar na Antiguidade). Igualmente importante é a reflexão sobre a História.
Actualmente, destacam-se as seguintes traduções dos Anais, para línguas modernas:
- para inglês: The Annals, trad. Anthony John Woodman (Indianápolis: Hacket Publishing, 2004).
- para francês: Tacite, Annales, trad. Pierre Grimal (Paris: Gallimard, 1993).

O programa (de 15 minutos por dia) vai para o ar às 23h e pode ser ouvido até uma semana depois de ter sido transmitido. Em Portugal, pode escutar-se a BBC Radio 3 no sistema BBC iPlayer.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Biblioteca ideial

Saiu há pouco tempo um livro da Sociedade de Edições Les Belles Lettres que condensa trechos de obras de autores das literaturas clássicas, a saber:
Homero, Hesíoso, Esopo, Ésquilo, Píndaro, Sófocles, Eurípides, Heródoto, Tucídides, Aristófanes, Platão, Xenofonte, Aristóteles, Demóstenes, Plauto, Cícero, César, Lucrécio, Salústio, Vergílio, Horácio, Tito Lívio, Tibulo, Ovídio, Lucano, Petrónio, Plutarco, Epicteto, Tácito, Suetónio, Luciano, e Marco Aurélio. Infelizmente, parecem ter ficado de fora autores como Terêncio, Séneca, ou Marcial, do mesmo modo que é estranho que não tenha abrangido, por exemplo, poetas helenísticos; mesmo alguns dos passos escolhidos são discutíveis (de Tácito, escolheram uma citação da Germania, quando o autor escreveu obras de qualidade superior e tem passos sinceramente mais marcantes).
Ainda assim, a Bibliothèque Classique Idéale — De Homère à Marc-Aurèle cumpre o objectivo de reunir num só volume excertos de algumas das obras-primas da literatura clássica, de modo a que as ideias e estética literária deste período de mais de 600 anos se torne familiar a muitas mais pessoas.

O volume custa 29€ e tem 488 páginas.

terça-feira, dezembro 18, 2007

Literaturas Clássicas na BBC Radio 3

A BBC Radio 3 estreou no dia 10 de Dezembro o programa The Essay: Greek and Latin Voices, “an accessible modern guide to some of the foundation texts of Western culture”.
De segunda a quinta, das 11h às 11h15 da noite, “The series focuses on the works of the major figures of Greek and Latin literature, philosophy, history and politics, including Thucydides, Euripides, Plato, Horace, Augustine, Tacitus, Juvenal, Cicero and Virgil.” O programa vai para o ar “in six fortnightly blocs, one week with a Greek focus and one week with a Latin focus.”
Entre os responsáveis pelos conteúdos estão professores especialistas (da Open University), um cientista, e um poeta.
Em Portugal, podemos ouvir o programa através da BBC iPlayer, disponível até uma semana depois de ter ido para o ar.
Mais informações, ver aqui.

A BBC Radio 3 é a estação de Rádio de música clássica e jazz, artes e drama da corporação britânica de radiodifusão.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

De Trinitate - Apresentação

Por correio electrónico chega-me esta informação:

A Paulinas Editora tem a honra de convidar V. Ex.ª para o lançamento da Obra TRINDADE - DE TRINITATE de Santo Agostinho. A apresentação será feita pelo Professor Jacinto Farias, seguindo-se a intervenção do coordenador da edição, Professor Arnaldo Espírito Santo e a leitura de extractos significativos da obra pela Professora Maria Cristina de Sousa Pimentel.
4 de Dezembro, pelas 18h

Edifício da Biblioteca João Paulo II, Sala de Exposições do 2º andar, Universidade Católica Portuguesa de Lisboa

sexta-feira, outubro 12, 2007

De Trinitate

[Santo Agostinho refutando os heréticos. Iluminura de manuscrito M92, da Morgan Library, Nova Iorque]

O De Trinitate de Santo Agostinho é um dos textos mais importantes do Cristianismo primitivo e, consequentemente, da construção daquilo que hoje se denomina a Civilização Ocidental. Por isso é de saudar a nova tradução desta obra ímpar, cujo lançamento decorreu dia 10 de Outubro de 2007, no Centro Pastoral Paulo VI (Fátima). A tradução é de Arnaldo do Espírito Santo (que também coordena), Cristina Pimentel, João Beato e Domingos Lucas Dias. O texto é introduzido e anotado por José Maria Silva Rosa, e está editado nas edições Paulinas.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Ancient Literary Criticism

There are two great works that one may use for a deep study of the ancient literary theory and criticism. From Cambridge University Press, we have a gigantic work on Literary Criticism that tracks its history, The Cambridge History of Literary Criticism, which first volume constitute a very useful and complete survey in the Classical Criticism. From Oxford University Press, a Oxford Readings in Classical Studies volume gives a general overlook in the Ancient Literary Criticism.
Both works serve the purposes of the intermediate student, and the bibliography makes sufficient knowledge to further study. Please compare these:

Oxford Readings in Classical Studies: Ancient Literary Criticism
Edited by Andrew Laird
491 pages
“The volume makes widely available some important scholarship on the canonical texts of ancient rhetoric and poetics. Whilst there are numerous studies of general trends in classical criticism, this collection offers direct discussions of primary sources, which provide a useful companion to the Russell and Winterbottom anthology, Ancient Literary Criticism. The volume contains a chronology, suggestions for further reading, a new translation of Bernays’ 1857 essay on katharsis, and an important introductory chapter addressing the tension in ancient literary criticism between its place in the classical tradition and its role in contemporary endeavours to reconstruct ancient culture.”
Contents
1. The Value of Ancient Literary Criticism, by Andrew Laird
2. Poetic Inspiration in Early Greece, by Penelope Murray
3. Homeric Professors in the Age of the Sophists, by N. J. Richardson
4. A Theory of Imitation in Plato’s Republic, by Elizabeth Belfiore
5. Plato and Aristotle on the Denial of Tragedy, by Stephen Halliwell
6. Ethos and Dianoia: ‘Character’ and ‘Thought’ in Aristotle’s Poetics, by A. M. Dale
7. Aristotle on the Effect of Tragedy, by Jacob Bernays
8. Literary Criticism in the Exegetical Scholia to the Iliad: a Sketch, by N. J. Richardson
9. Stoic Readings of Homer, by A. A. Long
10. Epicurean Poetics, by Elizabeth Asmis
11. Rhetoric and Criticism, by D. A. Russell
12. Theories of Evaluation in the Rhetorical Treatises of Dionysius of Halicarnassus, by D. M. Schenkeveld
13. Longinus: Structure and Unity, by Doreen C. Innes
14. The Structure of Plutarch’s How to Study Poetry, by D. M. Schenkveld
15. ‘Ars Poetica’, by D. A. Russell
16. Ovid on Reading: Reading Ovid. Reception in Ovid, Tristia 2, by Bruce Gibson
17. Reading and Response in Tacitus’ Dialogus, by T. J. Luce
18. The Virgil Commentary of Servius, by Don Fowler
19. Ancient Literary Genres: a Mirage?, by Thomas G. Rosenmeyer
20. Criticism Ancient and Modern, by Denis Feeney
The volume includes a section with “Suggestions for Further Reading”.

The Cambridge History of Literary Criticism: Volume 1, Classical Criticism
Edited by George A. Kennedy
396 pages.
“Surveying the beginnings of critical consciousness in Greece and proceeding to the writings of Aristophanes, Plato, Aristotle, and Hellenistic and Roman authors, this volume is not only for classicists but for those with no Greek or Latin who are interested in the origins of literary history, theory, and criticism.”
Contents
1. Early Greek views of poets and poetry, by Gregory Nagy;
2. Language and meaning in Archaic and Classical Greece, by George A. Kennedy;
3. Plato and poetry, by G. R. F. Ferrari;
4. Aristotle’s poetics, by Stephen Halliwell;
5. The evolution of a theory of artistic prose, by George A. Kennedy;
6. Hellenistic literary and philosophical scholarship, by George A. Kennedy and Doreen C. Innes; 7. The growth of literature and criticism at Rome, by Elaine Fantham;
8. Augustan critics, by Doreen C. Innes;
9. Latin criticism of the Early Empire, by Elaine Fantham;
10. Greek criticism of the Empire, by Donald A. Russell;
11. Christianity and criticism, by George A. Kennedy.

terça-feira, agosto 14, 2007

Catulo 15


XV

A mim e ao meu amor te encomendo,
Aurélio. Uma graça modesta te peço:
se algo com teu ânimo desejaste,
que quisesses casto e não tocado,
castamente me guardarás o miúdo,
não digo da populaça - nada receio
desses, que pela rua ora aqui ora ali
passam ocupados nos seus assuntos;
a verdade é que tenho medo de ti e da tua pila
infestada por miúdos bons e maus.
Põe-na a andar tu para onde quiseres, como quiseres,
quanto quiseres, fora de casa, onde calhar:
apenas a ele ponho a salvo, razoavelmente, como me parece.
Porque se a tua paixoneta e uma loucura insensata
te fizerem cair, canalha, em tão grande crime
que nos faças perder, com as tuas insídias, a cabeça,
ah!, então pobre de ti, homem de má fortuna,
que de pés atados a porta aberta
te passarão rabanetes e tainhas!

commendo tibi me ac meos amores
Aureli. ueniam peto pudentem
ut si quicquam animo tuo cupisti
quod castum expeteres et integellum
conserues puerum mihi pudice
non dico a populo nihil ueremur
istos qui in platea modo huc modo illuc
in re praetereunt sua occupati
uerum a te metuo tuoque pene
infesto pueris bonis malisque
quem tu qua lubet ut lubet moueto
quantum uis ubi erit foris paratum
hunc unum excipio ut puto pudenter
quod si te mala mens furorque uecors
in tantam impulerit sceleste culpam
ut nostrum insidiis caput lacessas
a tum te miserum malique fati
quem attractis pedibus patente porta
percurrent raphanique mugilesque

sexta-feira, julho 20, 2007

Prólogos de Borges - "Publio Virgilio Marón: La Eneida"

Quem tem acompanhado a minha escrita na blogosfera sabe que ando a reler Jorge Luis Borges, agora no original. Além de ser deus, Borges era também um profundo conhecedor das coisas clássicas, a quem se perdoará no entanto uma ou outra imprecisão, precisamente por ser deus e por aos deuses tudo se perdoar. Hoje recordo o prólogo que escreveu à Eneida, na sua preciosa Biblioteca personal.
«Una parábola de Leibniz nos propone dos bibliotecas: una de cien libros distintos, de distinto valor, otra de cien libros iguales todos perfectos. Es significativo que la última conste de cien Eneidas. Voltaire escribe que, si Virgilio es obra de Homero, éste fue de todas sus obras la que salió mejor. Diecisiete siglos duró en Europa la primacía de Virgilio; el movimiento romántico lo negó y casi lo borró. Ahora lo perjudica nuestra costumbre de leer los libros en función de la historia, no de la estética.
La Eneida es el ejemplo más alto de lo que se ha dado en llamar, no sin algún desdén, la obra épica artificial, es decir la emprendida por un hombre, deliberadamente, no la que erigen, sin saberlo, las generaciones humanas. Virgilio se propuso una obra maestra; curiosamente la logró.
Digo curiosamente; las obras maestras suelen ser hijas del azar o de la negligencia.
Como si fuera breve, el extenso poema ha sido limado, línea por línea, con esa cuidadosa felicidad que advirtió Petronio, nunca sabré por qué, en las composiciones de Horacio. Examinemos, casi al azar, algunos ejemplos.
Virgilio no nos dice que los aqueos aprovecharon los intervalos de obscuridad para entrar en Troya; habla de los amistosos silencios de la luna. No escribe que Troya fue destruida; escribe Troya fue. No escribe que un destino fue desdichado; escribe De otra manera lo entendieron los dioses. Para expresar lo que ahora se llama panteísmo nos deja estas palabras: Todas las cosas están llenas de Júpiter. Virgilio no condena la locura bélica de los hombres; dice El amor del hierro. No nos cuenta que Eneas y la Sibila erraban solitarios bajo la oscura noche entre sombras, escribe:
Ibant obscuri sola sub nocte per umbram
No se trata, por cierto, de una mera figura de la retórica, del hipérbaton; solitarios y oscura no han cambiado su lugar en la frase; ambas formas, la habitual y la virgiliana, corresponden con igual precisión a la escena que representan.
La elección de cada palabra y de cada giro hace que Virgilio, clásico entre los clásicos, sea también, de un modo sereno, un poeta barroco. Los cuidados de la pluma no entorpecen la fluida narración de los trabajos y venturas de Eneas. Hay hechos casi mágicos; Eneas, prófugo de Troya, desembarca en Cartago y ve en las paredes de un templo imágenes de la guerra troyana, de Príamo, de Aquiles, de Héctor y su propia imagen entre las otras. Hay hechos trágicos; la reina de Cartago, que ve las naves griegas que parten y sabe que su amante la ha abandonado. Previsiblemente abunda lo heroico; estas palavras dichas por un guerrero: Hijo mío, aprende de mí el valor y la fortaleza genuina; de otras, la suerte.
Virgilio. De los poetas de la tierra no hay uno solo que haya sido escuchado con tanto amor. Más allá de Augusto, de Roma y de aquel imperio que a través de otras naciones y de otras lenguas, es todavía el Imperio. Virgilio es nuestro amigo. Cuando Dante Alighieri hace de Virgilio su guía y el personaje más constante de la Comedia, da perdurable forma estética a lo que sentimos y agradecemos todos los hombres.»
Jorge Luis Borges, Biblioteca personal.
Biblioteca Borges, Alianza Editorial, Madrid, 2004.
ISBN 84-206-3317-8

quinta-feira, julho 05, 2007

Metamorfoses em análise (01)

As Metamorfoses de Ovídio passaram a ser o assunto número um deste blogue. Penso que tal se deve ao facto de Ovídio ser um autor de que se gosta com facilidade; depois, porque, com a publicação da edição da Cotovia, ficaram disponíveis em língua portuguesa duas traduções recentes e filologicamente sérias desta obra. Trata-se de um fenómeno raro em Portugal, este de tradução dos autores clássicos, mas que, que nos últimos anos — e felizmente —, tem sido mais frequente1, muito por mérito dos Livros Cotovia, que merecem todos os meus elogios2.
Porém, com a duplicação de traduções, qual é que devemos escolher? Pessoalmente, não sei, mas tenho a vantagem de ter as duas. É possível, porém, reflectir sobre elas. A comparação é difícil por diversos motivos, começando no facto de se eu fizer uma comparação exaustiva, teria de escrever uma tese de doutoramento, cheia de notas filológicas e literárias. Por isso, escolhi fazer uma breve comparação, pegando em pequenos excertos, e sobre eles fazendo comentários.
Antes de entrar nesse confronto, é importante recordar as características dos dois volumes, as qualidades e defeitos (que muitas vezes não são da responsabilidade dos tradutores!).












VegaCotovia

1) Dois volumes, capa mole.
2) Badanas com informações erradas:
Linha 2: Sâmnio por Solmona
Linha 5: “declamação” – a retórica dos sofistas por oratória
Linha 20: 9 a.C. por 8 d.C.;
3) Boa introdução, com dados importantes.
4) Notas em rodapé.
5) Subtítulos no corpo do texto.
6) Sem índice de mitos, mas há que ter em conta que este pode vir a ser introduzido no segundo volume. Como está, é difícil de localizar os mitos na obra.
7) Edição bilíngue.

1) Um grande volume de 443 páginas; capa dura, fita marcadora, sobrecapa.
2) Mapas que localizam os “principais elementos geográficos citados”.
3) Introdução muito completa; fornece linhas de leitura.
4) Notas em rodapé.
5) Guia de leitura no canto superior da página, sem interferir no texto.
6) Índice remissivo de mitos e glossário no fim. Facilita incondicionalmente a localização dos mitos na obra.
7) A tradução segue fielmente a edição de R. J. Tarrant.


1 Penso que Ovídio é, nesse sentido, um dos autores com mais “sorte”, pois, como lembrei antes, existem em (bom e fiel) português as obras Arte de Amar e Amores, vertidos pelo Professor Carlos Ascenso André, da Faculdade de Letras de Coimbra.
2 Já agora, atrevo-me a pedir ao meu colega André que acabe as traduções dos carmes de Catulo para os submeter a esta editora, pois a qualidade do trabalho que o tradutor está a fazer merecem essa distinção.

quarta-feira, julho 04, 2007

Metamorfoses

O Ricardo já tinha dado a notícia, mas só agora me chega às mãos a novíssima tradução das Metamorfoses de Ovídio, traduzidas pelo querido amigo e colega Paulo Farmhouse Alberto. Ainda não tive tempo de ler um naco suficientemente grande, mas do que li até agora a tradução é excelente (nem outra coisa seria de esperar), e o português elegante e agradável. Aqui deixo os primeiros versos.

«De formas mudadas em novos corpos leva-me o engenho
a falar. Ó deuses, inspirai a minha empresa (pois vós
a mudastes também), e conduzi ininterrupto o meu canto
desde a origem primordial do mundo até aos meus dias.»

Ovídio, Metamorfoses. Cotovia, 2007.
ISBN 978-972-795-206-9

quinta-feira, junho 28, 2007

Catulo 21

XXI

Aurélio, pai de fomes,
não só destas de hoje, mas também de quantas foram
ou são ou serão em outras idades,
queres encavar o meu miúdo.
E nem disfarças: estás com ele, brincas com ele,
colado ao seu lado tudo tentas.
Em vão: é que a ti, que me tentas tramar,
primeiro te comerei eu com bela foda de boca.
E se ao menos o saciasses, calava-me.
Mas o que me dói, ai eu ai eu!,
é que o rapaz só aprenderá a passar fome e sede.
Por isso desiste, enquanto podes fazê-lo com honra,
não vás tu acabar de boca fodida.

Aureli pater esuritionum
non harum modo sed quot aut fuerunt
aut sunt aut aliis erunt in annis
pedicare cupis meos amores
nec clam nam simul es iocaris una
haerens ad latus omnia experiris
frustra nam insidias mihi instruentem
tangam te prior irrumatione
atque id si faceres satur tacerem
nunc ipsum id doleo quod esurire
me me puer et sitire discet
quare desine dum licet pudico
ne finem facias sed irrumatus

Catulo 33

XXXIII

Ó tu, o melhor dos ladrões de balneário,
pai Vibénio e filho paneleiro
(que mais porca é a mão do pai,
mais guloso o cu do filho):
porque não ides exilados para o raio
que vos parta, pois conhecidas são de todos
as pilhagens do pai, e as nalgas peludas,
filho, não podes traficar nem por um tostão!

o furum optime balneariorum
Vibenni pater et cinaede fili
nam dextra pater inquinatiore
culo filius est uoraciore
cur non exilium malasque in oras
itis quandoquidem patris rapinae
notae sunt populo et natis pilosas
fili non potes asse uenditare

Bátrakhoi no Barreiro (II)

Quando os estudos clássicos estão em rápido e acentuado declínio, quaiquer iniciativas que pretendam, de forma séria, pelo menos suster esta tendência são de assinalar e louvar. Por isso foi com satisfação que recebi o contacto da Andreia Martins, professora no Colégio Minerva (Barreiro), convidando os Bátrakhoi para a II Cena Romana do colégio, integrada na Semana da Cultura Romana.

Os Bátrakhoi são um grupo de teatro clássico, constituído em finais de 2003, por iniciativa da Comissão Executiva do Departamento de Estudos Clássicos, então presidida pelo professor Arnaldo do Espírito Santo. Na altura foi-me atribuída a direcção do grupo, função que tenho desempenhado desde então. As dificuldades de conciliação de horários e disponibilidades levou a uma actividade reduzida e de certa forma simbólica, que culminou com uma inactividade de facto, desde 2005. Ainda assim não hesitei em aceitar o convite da Andreia, e tratei de contactar alunos e colegas interessados em ressuscitar o grupo, e contribuir para a divulgação das coisas clássicas num colégio que até ensina latim a alunos do ensino básico. Infelizmente é uma época complicada, com testes e trabalhos. Mesmo assim conseguimos reunir 4 pessoas: Cristiana Silva, Paula Carreira, Rui Carlos Fonseca e Susana Alves.

Reunido o grupo de actores, era preciso escolher o texto. A minha ideia foi, desde o início, dizer poesia. Porque não implica tanto tempo de preparação nem tanta gente como uma peça de teatro, e porque, tendo em conta o contexto em que nos iríamos apresentar - um jantar - me parecia o mais adequado. A escolha recaiu em Catulo, pois tinha já alguns carmes traduzidos de forma despreocupada, nos tempos livres. Naturalmente, e tendo em conta o público, imediatamente se excluíram os carmes mais atrevidos (os "malcriadões", como lhes costumo chamar). Ficou uma pequena selecta de carmes que representam primeiro o deslumbre amoroso, depois a desilução, finalmente o despeito.

Divertimo-nos imenso a preparar a apresentação, e mais ainda enquanto dizíamos, dramatizando, os carmes, diante de professores, alunos e encarregados de educação. E é isso que vale a pena: fazermos coisas giras, sérias, e sobretudo divertirmo-nos enquanto as fazemos. Deixo aqui de novo um agradecimento muito grande à Cristiana Silva, à Paula Carreira, ao Rui Carlos Fonseca e à Susana Alves. Fizeram muito pela divulgação dos estudos clássicos, na noite de 22 de Junho de 2007, mais do que pode parecer à primeira vista. É que colóquios e conferências são importantíssimos, fundamentais para o crescimento dos estudos clássicos, para o enriquecimento científico de todos que por eles se interessam. Mas para se crescer tem de se nascer (Monsieur de La Palisse não teria dito melhor), e não há maneira mais eficaz para despertar o interesse do que iniciativas deste género: jantares romanos, representações, exposições, et cetera.

Para outra ocasião fica a reportagem sobre a Cena Romana propriamente dita.

sexta-feira, junho 15, 2007

Metamorfoses

A editora Livros Cotovia lança no mercado uma nova tradução da obra-prima de Ovídio, Metamorfoses, feita pelo Professor Paulo Alberto, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, responsável por traduções tão importantes quanto o primeiro livro da História de Roma, de Tito Lívio, ou parte da Eneida, de Vergílio. Esta edição, lemos no sítio da editora, "inclu[i] notas, glossário e mapas, para que o leitor desfrute ao máximo da obra de Ovídio".
Livros Cotovia junta, assim, este aos títulos de Ovídio já disponíveis, a Arte de Amar e os Amores, vertidos pelo Professor Carlos Ascenso André, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
Recordo que a editora Nova Vega também se encontra a publicar as Metamorfoses (até agora, saiu um de dois volumes), tradução de Domingos Lucas Dias, Professor na Universidade Aberta, que é enriquecida com o texto latino original.