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domingo, maio 24, 2009


"Eu não era um erudito. Tal como muitos, ou a maioria, dos estudantes da minha geração, li O Banquete de Platão. Achei-o muito divertido. Mas fui levado por Ravelstein a relê-lo. Não propriamente levado. Mas se estivéssemos continuamente na sua companhia éramos repetidamente remetidos para O Banquete. Ser-se humano era ser-se mutilado, amputado. O homem é incompleto. Zeus é um tirano. O Monte Olimpo é uma tirania. O trabalho da humanidade no seu estado amputado é percorrer a metade que falta. E, após tantas gerações, a nossa verdadeira metade simplesmente não é encontrada. Eros é uma compensação outorgada por Zeus - provavelmente por motivos políticos próprios. E a busca pela nossa outra metade é em vão. O encontro sexual permite um temporário esquecimento de nós próprios, mas a dolorosa consciência da nossa mutilação é permanente."

Saul Bellow, Ravelstein, Lisboa, 2001 (trad. Rui Zink)

terça-feira, janeiro 27, 2009

Platão, República, II, 370b-c


Sara Saudková

οὐ γὰρ οἶμαι ἐθέλει τὸ πραττόμενον τὴν τοῦ πράττοντος σχολὴν περιμένειν, ἀλλ᾽ ἀνάγκη τὸν πράττοντα τῷ πραττομένῳ [370ξ] ἐπακολουθεῖν μὴ ἐν παρέργου μέρει.

É que, creio eu, a obra não espera pelo lazer do obreiro, mas a força é que o obreiro acompanhe o seu trabalho, sem ser à maneira de um passatempo.

(trad. Rocha Pereira)

domingo, março 16, 2008

Pensadores e Lusosofia

Na imprensa
O PÚBLICO inicia amanhã, dia 17, a publicação da colecção “Grandes Pensadores”, distribuída com o jornal todas as segundas-feiras, até 28 de Julho. Nos livros, de aproximadamente 300 páginas cada (e de capa dura), dá-se uma perspectiva sobre a vida e obra de 21 filósofos e pensadores:
1.º volume (17 de Março): Platão e Sócrates
2.º volume (24 de Março): Aristóteles
3.º volume (31 de Março): Séneca
4.º volume (07 de Abril): Santo Agostinho
5.º volume (14 de Abril): São Tomás de Aquino
Os restantes volumes são sobre Descartes, Pascal, Rousseau, Adam Smith, Kant, Hegel, J. Stuart Mill, Darwin, Marx, Nietzsche, Freud, Ortega y Gasset, Popper, Sartre, e Claude Levi Strauss.
Claro: haveria outros tão ou mais importantes para incluir na colecção, mas, tal como em qualquer antologia, algum há-de ficar sempre de fora.

Na Rede
A recém-criada página Lusosofia: Biblioteca On-Line de Filosofia (dinamizado pelo Instituto de Filosofia Prática da Universidade da Beira Interior) tem por objectivo disponibilizar em português textos da área da Filosofia.
Interessa-nos, no âmbito deste blogue, dar relevo às traduções de alguns textos clássicos da Filosofia, visto que o sítio pretende ser “[u]m repertório de textos clássicos significativos, sobretudo já no domínio público, vertidos a partir das línguas originais e procedentes de todas as épocas, relativos aos temas fundamentais da reflexão filosófica. Comporá por isso, assim esperamos, uma espécie de simpósio universal que acolhe diferentes tipos, tendências e estilos de filosofar, onde se descobrirá decerto a marca e o estigma de tempos e mundos diversos, mas também uma espécie de vitória sobre o tempo devido à premência e à perenidade das questões.” Já em lista para disponibilizar em breve estão textos de Aristóteles (Metafísica, livro XII) e de S. Tomás de Aquino (Os princípios da natureza, A eternidade do mundo, As criaturas espirituais, e algumas Quaestiones de veritate). Outros, certamente, se seguirão.
O portal tem ainda como objectivo dispor de ensaios sobre questões filosóficas. Destaco o artigo “Da Ambiguidade da Música na Antiguidade tardia e no Pensamento de St.º Agostinho”, de José Silva Rosa, já disponível.
Resta referir que os textos estão num cómodo formato pdf.

sexta-feira, março 07, 2008

Traduções: O Político e Tratado da República

O Círculo de Leitores lança a colecção “Clássicos da Política”, sob a direcção de Diogo Pires Aurélio (Professor de História da Universidade Nova de Lisboa), com o objectivo de “preencher uma lacuna no panorama da bibliografia política em português.”
O primeiro volume desta colecção é O Político de Platão, com tradução, introdução, e notas de Carmen Soares. “Obra em diálogo escrita no século IV a.C., O Político revela a importância que Platão atribui à arte de governar, na sua perspectiva a arte suprema. O filósofo grego aborda aqui, sobretudo, o perfil do homem político, ou seja, aquele que na sua perspectiva possui a rara habilidade de saber conduzir os homens.”
O segundo volume é a tradução do De Republica, de Cícero (“Tratado da República”), feita por Francisco de Oliveira, a sair em breve.

Outros títulos da colecção: O Príncipe de Maquiavel, Tratado Político de Espinosa, Testamento Político de Richelieu, O Contrato Social de Rousseau, O que é o Terceiro Estado? de Sieyes, Defesa da Sociedade Natural de Burke, Discursos à Nação Alemã de Fichte, Investigação sobre o Governo de Calhoun, e O 18 de Brumário de Marx.

Nota: as citações feitas neste artigo são retiradas da revista do Círculo de Leitores (n.º 176), pág. 41.