quinta-feira, fevereiro 19, 2009

César, Virgílio, Joviano, António e o mosaico mais belo do império

Notícia do PÚBLICO.

César, Virgílio, Joviano, António e o mosaico mais belo do império

16.02.2009

Um mosaico romano de características únicas foi encontrado em Alter do Chão. É do século IV e representa o último canto da Eneida. Em ano eleitoral, a obra de Virgílio poderá fazer pelo presidente
da câmara, Joviano Vitorino, o que, há dois mil anos, fez pelo imperador César Augusto. Vai poder ser visto a partir de 21 de Maio. Por Paulo Moura (texto) e João Henriques (fotos)

Caio Júlio César Otaviano Augusto, em Roma, à semelhança de Joviano Vitorino, em Alter do Chão, precisava de consolidar o seu poder. A república tinha-se transformado em império, em 23 a.C., e, para o manter unido e submisso, era importante criar uma mitologia, uma epopeia e uma crença na natureza divina do poder imperial.
César chamou um poeta com provas dadas, Virgílio. Ou melhor: pediu a um amigo, também seu conselheiro e agente diplomático, muito rico e que gostava de apoiar as artes, um mecenas, que falasse com Virgílio. O mecenas que, não por acaso, se chamava Mecenas, pagou ao poeta para escrever uma obra melhor do que a Ilíada e a Odisseia juntas. No ano 19 a.C., o mesmo em que morreu, Virgílio compôs então a Eneida, um poema épico em 12 cantos que começa, mil anos depois, onde a Ilíada termina - a queda da cidade de Tróia.
Os primeiros seis cantos da Eneida, aliás, emulam a Odisseia, em termos de enredo e também na forma, enquanto a primeira parte da obra imita a Ilíada. Tudo junto, garantia Virgílio, superava a obra de Homero. Mas não a ignorava. Através de um sistema de referências a que os literatos chamam intertextualidade, alimentava-se dela. São comuns algumas personagens, bem como locais e eventos, para que ao leitor que conheça a Ilíada e a Odisseia esteja acessível uma fruição superior da própria Eneida.
Ao contrário do que se passa na Odisseia, protagonizada por um grego (Ulisses), o herói da obra de Virgílio é Eneias, um troiano que, a pedido da sua ilustre mãe, foge, após a destruição da cidade pelos gregos, com o objectivo de erguer uma nova cidade, uma nova Tróia, que será Roma. Eneias era um rapaz de boas famílias: o pai era Anquises, um príncipe troiano, mas a mãe era nada menos do que a deusa Vénus, que tivera com o mortal Anquises uma aventura extraconjugal. Também estava muito bem relacionado: o seu escudo foi construído por Vulcano, marido de Vénus e deus do fogo (à semelhança do que acontece com o escudo de Aquiles, na Ilíada), frequentava a casa de Plutão, o guardião dos Infernos, e aconselhava-se regularmente com Júpiter, o deus dos deuses.
Após muitas peripécias, guiado por um oráculo, Eneias chega à Itália. Aí, tem de combater o rei dos rútulos, Turno, a quem tinha sido prometida a mão de Lavínia, filha de outro líder local, Latino, rei dos latinos. Mas um oráculo aconselhara Latino a aceitar como genro um guerreiro estrangeiro. Eneias conta então com a ajuda de Latino e, protegido com o escudo forjado por Vulcano (onde estão gravados todos os acontecimentos da futura História de Roma), e aconselhado por um génio do rio Tibre, vence, numa luta corpo a corpo, o rei Turno. Tombado no chão, este implora pela sua vida, mas Eneias, após um momento de hesitação, trespassa-o com a espada. Desposa Lavínia, e o seu filho Ascânio, neto de Anquises e Vénus, será o avô dos futuros reis de Roma, que assim vêem garantida uma linhagem divina e uma História mítica, ligada aos gregos e aos povos da Itália. Virgílio cumpriu a sua missão, o imperador César Augusto ficou satisfeito.
A Casa da Medusa
Jorge António encontrou primeiro a cabeça de uma estátua de mármore representando uma rapariga. O penteado, em longas tranças puxadas para trás e apanhadas em rabo de cavalo, denuncia a moda da sua época. Basta averiguar quando se usava aquele visual feminino, e saberemos a que período pertence a estátua. Foi isto que pensou Jorge António, que é natural de Faro e arqueólogo da Câmara Municipal de Alter do Chão.
Uma coisa era certa: a presença da escultura era sinal da existência de uma casa muito rica, uma verdadeira domus. Até agora, já tinha sido descoberta a base de uma outra estátua, de Apolo, perto de uma zona de balneários termais, daquela que terá sido uma importante cidade romana e está hoje soterrada sob a vila alentejana de Alter do Chão. A cidade chamava-se Abelterium e começou a ser escavada em 1954. A estação arqueológica desenvolveu-se na área entre o campo de futebol, uns terrenos pertencentes à coudelaria, e o pavilhão desportivo que viria a ser construído. Tornou-se perfeitamente visível a zona do hipocausto, onde o ar aquecido por uma fornalha de lenha circulava por baixo do chão, a do frigidário, onde corria água fria, a zona de massagens e a latrina comunitária. No decorrer das escavações, surgiria também a necrópole, onde, a julgar pelo luxo dos objectos depositados junto a cada corpo, estariam sepultados os elementos da elite da sociedade romana da época. Tudo levava a crer, portanto, estar-se na presença de uma grande cidade - uma civitas, e não um simples vicus (povoado).
Jorge António, 38 anos, trabalha há oito na Câmara de Alter do Chão. Concluíra a licenciatura em História e Arqueologia na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa e estava desempregado. Enviou um currículo para a Câmara de Alter e conseguiu o lugar. Logo nesse ano de 2001, elaborou um projecto para a Estação Arqueológica de Ferragial d'El Rei, que só viria a ser aprovado em 2004. Foi nessa altura, com alguns apoios financeiros, que se iniciaram os trabalhos.
No seu Gabinete de Arqueologia, instalado em duas salas do edifício do Cineteatro de Alter do Chão, Jorge armazena, organiza e estuda os achados dos últimos anos, distribuídos por caixas rotuladas - "Fragmentos de estuque", "Elementos de adorno", "Cerâmica comum", "Moeda", "Vidro", "Aplicações para mobiliário", "Têxteis", "Lazer", "Iluminação doméstica"... Sobre uma mesa, o esqueleto quase completo de um homem, sepultado há cerca de 1500 anos. Tinha 1m e 62 cm de altura, entre 40 e 49 anos à data da morte, e era rico. É o que se sabe sobre ele.
Com estes elementos, e mais alguns fragmentos de estátuas, de frescos, de paredes, Jorge António ia imaginando a cidade que existiu naquele lugar, e que, a jugar pelos vestígios, nunca foi propriamente abandonada, até hoje. Terá havido uma continuidade de ocupação, desde as povoações pré-romanas, as visigóticas, árabes, cristãs, até ao castelo, construído em 1349 por D. Pedro, e à actual vila de Alter do Chão.
Mas foi há um ano e meio que fez a grande descoberta.
O mosaico
Perto do local onde encontrara a cabeça feminina, em mármore, viu surgir a figura de Eneias, composta em minúsculas tesselas de calcário colorido e outras de pasta vítrea, azuis, verdes e amarelas. Foi alargando a área exposta e trouxe à luz o imenso mosaico, de 53 metros quadrados, constituído por uma moldura geométrica e uma zona figurativa de inédito esplendor. Eneias, com o seu penacho característico, quebrado por ter sido atingido por uma lança. Dos dois lados do painel, frente a frente, guerreiros gregos e frígios, definidos pelos respectivos capacetes. Entre as duas hostes, um medalhão com a figura da Medusa. Ao centro do painel, prostrado aos pés de Eneias, o rei Turno, implorando pela sua vida. Em baixo, à direita, a figura de Vulcano, cuspindo fogo, e à esquerda a do génio do Tibre, de cujo jarro verte a água do rio, representada em tesselas de pasta vítrea azul e verde.
"A cena representa o último canto da Eneida", explica ao P2 Teresa Caetano, investigadora do Instituto de História da Arte da Universidade Nova de Lisboa e da Associação de Investigação e Estudo do Mosaico Antigo e da Associação Portuguesa para o Estudo e Conservação do Mosaico Antigo. "Turno está a pedir a Eneias que lhe salve a vida", diz a especialista, que já está a estudar o achado de Alter do Chão. "Há o deus Tibre, representado por um génio do rio, apoiado num vaso que deita água. Do outro lado está Vulcano, amigo da mãe de Eneias, que era Vénus, secando o rio, afrontando o génio do Tibre..."
Teresa Caetano nunca tinha visto um mosaico como este. Não há, no país, nem na península, nem talvez no mundo, mais nenhum desta qualidade e neste estado de conservação. O estudo, que vai durar, pelo menos, até ao final deste ano, ainda está no início. Mas já é possível tirar algumas conclusões: o mosaico é do século IV, do império romano tardio, e pertencia a uma casa muito rica. Naquela altura, como reacção ao cristianismo que alastrava, tornaram-se moda, entre os romanos não-cristãos, os mosaicos com motivos da Ilíada, Odisseia ou Eneida. Os homens ricos e influentes do mundo romano faziam questão de ostentar uma profunda cultura clássica, e uma ligação aos valores pagãos, que consideravam superiores aos do cristianismo. Era uma demonstração de status e poder.
Nada se sabe sobre o homem que mandou construir o mosaico de Abelterium, excepto que era muito rico e culto e que teria uma grande importância na cidade. O mosaico terá custado uma fortuna. Não foi feito, decerto, por um artista da região, porque não havia na península, que se saiba, uma escola com tal mestria. Mas sobre isto há várias teorias. Jorge António fala de artistas itinerantes que iam de casa em casa, com um catálogo de imagens. Teresa Caetano imagina uma espécie de "multinacional" da arte do mosaico, que teria "sucursais" em vários pontos do império. As próprias tesselas, que alguns historiadores pensavam serem feitas com materiais de cada local, parece afinal que eram produzidas numa mesma "fábrica", e transportadas de barco para as várias regiões. Os despojos de um navio, carregado de tesselas coloridas, naufragado ao largo das Berlengas, vieram confirmar esta teoria.
A maior parte dos mosaicos eram feitos por artesãos, que copiavam as imagens concebidas pelos "designers" da "multinacional", com ligeiras adaptações. Não terá sido o caso do painel de Alter do Chão. "A riqueza de pormenores, as sombras, a musculação, a própria técnica da perspectiva" denunciam a presença de um artista. Um verdadeiro pictor imaginarius, que terá vindo expressamente de Emerita Augusta (Mérida), capital da Lusitânia, ou mesmo de Roma, para produzir a obra na casa do magnata de Abelterium. Era um mestre, que se faria pagar a peso de ouro, mas terá desenhado o que o seu cliente pediu, como era normal na época. Mais ou menos pasta vítrea, para os detalhes dos olhos, a água ou o fogo, mais uma cena mitológica, mais uma personagem, tudo isto era decidido por artista e cliente, numa discussão erudita de quem dominava os clássicos.
Jorge António não duvida de que o proprietário da sua Casa da Medusa, como baptizou a domus do mosaico, era um homem culto. Entre as várias divisões que descobriu, conta-se um escritório (tablinum), o que mostra tratar-se de um intelectual. Desta divisão sai um corredor que liga aos quartos, ao peristilo - o jardim interior - e ao triclinium, ou sala de jantar, coberto pelo mosaico da Eneida.
"A casa deveria ter pelo menos o dobro do tamanho do que está à vista e, provavelmente, um segundo andar", explica Jorge António. "Era aqui que o dono recebia os seus convidados para jantar", continua, caminhando sobre o mosaico. "Ao centro ficava a mesa e aqui, à volta, os sofás, onde as pessoas se deitavam, como é descrito no Banquete de Trimalquião, de Satiricon", prossegue o arqueólogo municipal, que considera "urgente" continuar as escavações, e preservar os tesouros encontrados, não obstante a descoberta do mosaico ter ocorrido há um ano e meio e só agora ter sido divulgada. "Era um homem muito importante. Um aristocrata, um sacerdote. Talvez um político."
A epopeia de Joviano
Está a chover. A água infiltra-se nos interstícios das tesselas, fazendo-as saltar dos seus lugares. Joviano Vitorino, 50 anos, lembra-se de vir para aqui brincar, quando era miúdo. A escola que frequentava, na aldeia da Cunheira, tinha 80 alunos. Hoje, não tem nenhum, e fechou. "Lembro-me de vir a Alter, de fatinho, fazer o exame da 4ª classe, em 1968. Brincávamos sobre as ruínas, levávamos pedras para casa." Alter do Chão tinha na altura dez mil habitantes. Hoje, tem quatro mil. "O poder central tem de começar a olhar para o interior do país de forma diferente", diz Joviano Vitorino, que é hoje presidente da Câmara de Alter do Chão, eleito pelo PSD. "A nossa riqueza arqueológica tem um potencial enorme, e a descoberta deste mosaico veio trazer outra dinâmica ao nosso projecto."
O projecto, a epopeia de Joviano Vitorino, é classificar Abelterium como Monumento Nacional, criar o Centro Interpretativo da Estação Arqueológica, no 1º andar do Cineteatro, o Clube do Património, para trazer estudantes à estação, um núcleo museológico, o Corredor do Tempo, para as crianças, e uma cobertura especial para o mosaico da Casa da Medusa. Parte deste equipamento vai ser inaugurado no próximo dia 21 de Maio. Haverá também merchandizing - t-shirts, bonés, posters com réplicas do mosaico - e ainda uma piscina descoberta, um pavilhão desportivo e um estádio.
"Tudo isto atrairá turistas e criará empregos na região", explica o autarca, que espera obter fundos governamentais para o projecto. "Precisamos de milhares de euros, e vamos passar a bola da responsabilidade."
Um grupo de dissidentes do PSD tem sido muito crítico das acções de Joviano, e ameaçou desafiá-lo, nas eleições autárquicas deste ano, talvez apoiando o candidato do PS. Mas Joviano tem agora um trunfo que crê ser imbatível: o mosaico. O timing é perfeito.
"Vai ser inaugurada a IC13, que liga Portalegre a Alcochete. Ficaremos a uma hora e meia de Lisboa", diz Joviano Vitorino. Não há razão para que o mosaico seja levado para um museu da capital. "Não deixo que ele saia. Isto tem uma importância arqueológica enorme", diz o autarca, que entretanto se tornou especialista em cultura clássica. "Só por cima do meu cadáver."

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

“São precisos professores que gostem de ler”

Carlos Reis, coordenador da equipa que apresentou os novos programas de Português para o ensino básico (actualmente em discussão pública) deu uma entrevista ao jornal Público. Realçam-se algumas das suas afirmações:

Não se pode, naturalmente, generalizar, mas há muitos professores — não só, mas principalmente os que saíram dos institutos politécnicos — que foram formados à luz de uma concepção... eu diria... muito desenvolta, muito expedita do que é falar e escrever em português.
Aquela coisa de “se o menino erra tem de se valorizar o erro, a expressividade...”. Sou completamente contra isso. Um erro é um erro, em Português como em Matemática. Se no discurso corrente, quotidiano, o sujeito não concorda com o predicado, isso é um erro.

Actualmente, os poucos textos literários apresentados aos alunos são utilizados como textos ilustrativos de coisas que têm pouco que ver com a literatura. Usar um soneto de Camões para explicar o que é o discurso argumentativo, por exemplo, é matar o soneto de Camões. Ele tem de ser percebido pelos alunos como uma grande peça lírica, que representa e modeliza uma emoção, uma visão do mundo, um sentimento.

Para termos alunos que gostem de ler são precisos professores que gostem de ler, que entendam a literatura como um domínio de representação cultural com uma grande dignidade e com uma enorme capacidade de nos enriquecer do ponto de vista humano. Claro que isto ultrapassa, em muito, a esfera de actuação de quem prepara programas de Português, e está intimamente relacionado com a actual crise das Humanidades. (...) Nem toda a gente tem de ler Platão e de traduzir latim. Mas está à vista que a hipervalorização, às vezes até um bocadinho provinciana, das tecnologias traz consigo lacunas consideráveis na forma de olharmos para o outro, de pensarmos no que é justo ou injusto, no que é solidário e não o é, no que é bonito e no que é feio — e que encontramos na Literatura, na História, na Filosofia.... A recuperação do atraso científico e tecnológico não deve ser feita à custa da desqualificação — política, até — de outras componentes da nossa cultura.

A entrevista pode ser lida na íntegra aqui.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

O Oráculo de Delos


A Grécia temeu Apolo, mesmo antes de ele nascer. Sentindo já as dores do parto, Leto vagueava pelas terras e as ilhas do Egeu: era a mais delicada das deusas e possuía já todas as qualidades que o filho viria violentamente a ignorar. Pediu abrigo, mas as terras e as ilhas já conheciam Apolo antes de ele nascer e tremiam à ideia de o verem pisar o seu solo. Recusaram, e o deus sentiu a dor e a dificuldade de vir ao mundo, como os seres humanos. Por fim, Leto dirigiu-se a Delos, a ilha mais pequena e mais obscura de todas as ilhas do Egeu. Ofereceu-lhe um templo. Delos também receava. Receava que o jovem deus a desprezasse e, calcando-a com os pés, a fizesse desaparecer nas águas do mar: se assim fosse, as ondas submergi-la-iam, os polvos fariam os seus covis por cima dela, as focas habitariam na sua superfície deserta. Leto jurou: "Aqui, haverá sempre o perfumado altar de Febo e o seu santuário, e ele honrar-te-á mais do que a qualquer outra terra". Só então Delos aceitou receber a mãe e o filho.

Pietro Citati

terça-feira, janeiro 27, 2009

Platão, República, II, 370b-c


Sara Saudková

οὐ γὰρ οἶμαι ἐθέλει τὸ πραττόμενον τὴν τοῦ πράττοντος σχολὴν περιμένειν, ἀλλ᾽ ἀνάγκη τὸν πράττοντα τῷ πραττομένῳ [370ξ] ἐπακολουθεῖν μὴ ἐν παρέργου μέρει.

É que, creio eu, a obra não espera pelo lazer do obreiro, mas a força é que o obreiro acompanhe o seu trabalho, sem ser à maneira de um passatempo.

(trad. Rocha Pereira)

domingo, janeiro 25, 2009

Pena é que saiba latim

«A trigueirinha estudou a sua lição, e o Rei ajudou-lhe a pronunciar os ditongos. Sua Majestade sabia regularmente a língua francesa e espanhola. A italiana ensinou-lha, vinte anos depois, a actriz Petronilla, a quem deu presentes que carregaram trinta cavalgaduras quando a cantora se fez na volta de Espanha, diz o Cavalheiro de Oliveira. D. António Caetano de Sousa, na História Genealógica da Casa Real, tom. VIII, pág. 4, diz que o Rei sabia também latim com perfeita inteligência. De um sujeito que lia Horácio e Cícero, dizia Bocage: "Pena é que saiba latim, pois perdeu-se um parvo grande!" D. João V, ainda com latim, não era parvo pequeno nem perdido.»


Camilo Castelo Branco, A Caveira da Mártir, Obras Completas, Vol. VII, Lello, Porto, 1987, p. 1042

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Honoris Causa

Maria Helena da Rocha Pereira, Professora Catedrática Jubilada da Universidade de Coimbra, recebe hoje as insígnias honoris causa da Universidade de Lisboa. O Professor Raul Rosado Fernandes é o seu padrinho. A cerimónia decorre na Aula Magna da Reitoria da UL às 15h.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

O Fulgor da Grécia

O Prof. Doutor José Pedro Serra, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, é o responsável pelas conferências que realizarão todas as quartas-feiras de Fevereiro às 18h30, na sala 2 da Culturgest (entrada livre). O Fulgor da Grécia: o olhar, a palavra, o gesto tem quatro sessões: "Homero ou o canto da vida heróica" (dia 4), "No espelho da tragédia" (dia 11), "Dioniso: Sol negro entre os olímpicos" (dia 18), "Ao tear do tempo: Atenas e Jerusalém" (dia 25).

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Monumento funerário do século VI d.C. em Mértola (Complemento)

«Foi descoberto, em Mértola, um mausoléu do século VI d.C. "único no Ocidente", que terá servido para sepultar "pessoas importantes" de origem grega. Esta descoberta arqueológica testemunha a presença de orientais em Mértola antes da islamização. Foi encontrado durante as obras de remodelação do Eixo Comercial de Mértola, na Rua Afonso Costa, junto à GNR.
Trata-se de "um mausoléu fantástico, absolutamente fora de série" e "o único edifício mortuário do género achado em todo o Ocidente do Mediterrâneo, onde, até agora, não há nenhum parecido", afirma Cláudio Torres.»


Continuação aqui >>>>

domingo, janeiro 04, 2009

Monumento funerário do século VI d.C. em Mértola

A notícia já tem algumas semanas, mas antes tarde que nunca. Uma importantíssima descoberta arquológica em Mértola: um monumento funerário do século VI d.C. Notícia áudio e texto na TSF.

Puro Séneca e Platão


Quem se não calou foi António de Cavide. O Rei leu a carta do ouvidor, espremeu em contrafeito riso o fel do despeito, mascou umas palavras regougadas, e, atirando a carta com desprezo ao manteeiro, disse afinal:
- Foi educada pelo padre Luís da Silveira...
- Nunca se disse tão conceituosa frase, meu senhor! - exclamou o ministro batendo as palmas com o estúpido entusiasmo da lisonja. E repetiu: - Foi educada pelo padre Luís da Silveira! Admirável, e digno de Juvenal, de Marcial, e... de Vossa Majestade!
- E que monta ser rei quando se é frágil como qualquer homem! - disse D. João IV com direito aos louvores do valido meditabundo.
- Estou pensando, real senhor!... - disse o ministro. - Vossa Majestade nestas poucas expressões compendiou um livro: E que monta ser rei quando se é frágil como qualquer homem!? Puro Séneca e Platão!...


Camilo Castelo Branco, A filha do regicida, Obras Completas, Vol. VII, Lello & Irmão, Porto, 1987, p. 887

sábado, janeiro 03, 2009

Para falar menos e melhor

O programa Today é um dos mais conhecidos e aclamados da BBC Radio 4. A seguir ao natal, esteve em estúdio o padre que traduz os textos da Igreja Católica para latim (tarefa que fez já sob diferentes papas, pois que a cumpre há 40 anos). Reginald Foster afirmou que se o papa usasse o latim nos seus discursos falava menos e com mais rigor, sem subterfúgios, pois a língua latina não permite a vacuidade e os devaneios do politiquês (para ouvir aqui).

Ao ouvir o Padre Foster (que já tinha sido notícia na BBC por causa da sua preocupação com o desaparecimento do latim) a falar, recordei este passo de A Educação Sentimental, de Gustave Flaubert, quando Frédéric, logo a seguir à proclamação da República em 1848, se encontra a assistir a uma reunião do clube “dos inteligentes” (‘clube’ neste contexto significa ‘partido político’):

— Michel-Evariste-Népomucène Vicent, ex-professor, exprime o voto no sentido de a democracia europeia adoptar a unidade de linguagem. Poderíamos servir-nos de uma língua morta, como por exemplo o latim aperfeiçoado.
— Não! Latim, não! — exclamou o arquitecto.
— Porquê? — replicou um professor.
E os dois cavalheiros envolveram-se numa discussão, a que todos se associaram, cada um lançando a sua frase para deslumbrar, e que não tardou a tornar-se tão fastidiosa que muitos se retiraram.

Usei a tradução de João Costa (Lisboa: Relógio d'Água, 2008), 245.

terça-feira, dezembro 23, 2008

Descoberto maior conjunto de moedas de ouro do período Bizantino

"Arqueólogos britânicos descobriram 264 moedas de ouro com 1300 anos, nas antigas muralhas de Jerusalém, debaixo de um parque de estacionamento, revelaram hoje as Autoridades Israelitas", diz a Reuters, citada pelo Público.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

O Império Bizantino

Diz-se que o Império Bizantino foi constituído quando a cidade de Constantinopla, a Nova Roma, foi fundada em 324 d. C., e que terá terminado quando a mesma foi tomada pelos turcos otomanos em 1453.
O império Bizantino tem portanto uma duração de treze séculos e divide-se em pelo menos três grandes períodos: Inicial, Médio e Tardio.
O Período Inicial prolongou-se até ao século VII, ou seja, até à ascensão do Islão e à instalação definitiva dos árabes, ao longo da costa sul e este do Mediterrâneo, durante o reinado de Heraclio, o Grande. De acordo com Miguel Pselo (escritor bizantino), Heraclio encontra-se pela primeira com Mohammed, chefe tribal dos sarracenos, no regresso da sua bem sucedida expedição contra os persas. Mohammed viera de Yathrib e pede-lhe autorização para fundar uma colónia, ao que Heraclio acede, mais tarde o Mohammed organizará um primeiro exército, fará uma primeira incursão à Síria e depois começará a devastar território romano.
O Período Médio dura até à ocupação da Ásia Menor pelos turcos, nos anos de 1070 ou, menos provavelmente, até à tomada de Constantinopla pelos cruzados, em 1204.
O Período Tardio é o tempo que medeia a partir de um destes términos até 1453.
Na realidade e como é evidente, como afirma Cyril Mango, “o império Bizantino nunca existiu. Existiu sim um Estado Romano que tinha por centro Constantinopla. Os seus habitantes apelidavam-se Romaioi, ou simplesmente cristãos”. Um homem era referido como byzantios apenas se fosse oriundo de Constantinopla. Os europeus ocidentais, os bizantinos eram conhecidos como Graeci, uma vez que romanos assumia uma conotação completamente diferente.
O termo Byzantinus para referir o Império e os seus habitantes só começa a ser utilizado no Renascimento.
O Período Inicial é, de longe, o mais importante, uma vez que é aquele que pertence à Antiguidade e que geograficamente engloba bacia mediterrânica. O Império Romano ainda se estendia de Gibraltar ao Eufrates, enfrentando o seu inimigo de sempre, a Pérsia sassânida.
Também a nível cultural o período inicial se destaca dos restantes. É nesta época que o cristianismo é integrado na tradição greco-romana, que se define o dogma cristão, estabelecendo as estruturas da vida cristã e que se procedeu à criação de uma literatura e arte cristãs.
É difícil avaliar a ruptura ocorrida no séc. VII, a começar pela invasão persa no início do século e a culminar na expansão árabe, cerca de trinta anos mais tarde. Uma série de infortúnios veio privar o império das suas províncias mais prósperas – a Síria, o Egipto, a Palestina e, mais tarde, o Norte de África.
Este colapso marca o fim da civilização urbana da Antiguidade. A catástrofe que foi o séc. VII tornou-se o acontecimento central da história bizantina.
Da mesma forma que para a Europa Ocidental a imagem da Roma Imperial domina toda a sua Idade Média, também a sombra do império cristão de Constantino, Teodósio e Justiniano permanece para o Império Bizantino como paradigma a atingir mas que, pressentia-se, seria sempre inalcançável.
Embora o mundo do Islão tivesse recebido a herança de Roma e também da Pérsia e, reunindo um vasto mercado comum que se estendia desde Espanha até aos confins da Índia, tivesse produzido uma civilização urbana dotada de uma vitalidade extraordinária, ainda assim, o Império Bizantino, apesar de excluído das maiores rotas de comércio internacional, e constantemente hostilizado pelos seus inimigos, foi capaz de mostrar uma grande dinâmica e ir recuperando alguns territórios perdidos.
A influência bizantina, pautada por alguma actividade missionária, irradiou até à Morávia e ao Báltico. Esta é a resenha do período médio bizantino.
A partir de 1180 (Período Tardio), o Império Bizantino começou a desmoronar-se a todos os níveis.
O contexto geográfico do império sofreu sempre constantes mutações. Importa sublinhar com veemência que nunca existiu tal coisa como uma “nação bizantina”.
À primeira vista, o conjunto de material escrito que nos foi legado por Bizâncio parece considerável mas a primeira coisa com que nos deparamos é a ausência de registos documentais e arquivísticos.
Possuímos, igualmente, uma quantidade pequena de papiro referente a Ravena, que era uma parte do Império mais marginal. Quanto ao restante resume-se a alguns arquivos monásticos pertencentes, na sua maioria, ao monte Atos e ao sul de Itália, e outros dois ou três à Ásia Menor. Isto significa que não é possível construir uma história significativa da economia do Império.
O material que temos à nossa disposição poderá ser considerado, na sua maioria, literário, na medida em que foi preservado em livros manuscritos. Apenas o material da Grécia perfaz cerca de cinquenta mil manuscritos que ainda permanecem em várias bibliotecas, remontando cerca de metade desse número à época medieval. Estes textos apresentam, estranhamente, uma qualidade opaca e, quanto mais elegante o seu registo, mais opacos se tornam. E se considerarmos o enorme volume de literatura bizantina no seu todo, chegaremos à conclusão que a realidade está distorcida.

Bibliografia: Mango, Cyril, Bizâncio, O Império da Nova Roma, Edições 70, Lisboa, 2008.
Kazhdan et alii (eds.), The Oxford Dictionary of Byzantium, Vol. I, Oxford University Press, New York, 1991.

domingo, dezembro 07, 2008

Reino Unido preocupado com o ensino do Latim

Nos últimos anos, o número de professores de Latim tem vindo a diminuir drasticamente no Reino Unido, a ponto de a Casa dos Lordes do Parlamento ter demonstrado preocupações a esse respeito, pois começa a ser cada vez mais claro que não vai haver professores suficientes para assegurar o ensino desta língua dentro de pouco tempo. Lord Faulkner demonstrou ainda preocupações acerca da alta percentagem de escolas que não ensinam Latim, apesar de este número ter vindo a aumentar. Já para o ano vai haver um estudo sobre a introdução do Latim nos currículos de línguas. É a notícia da BBC que a seguir se lê:

A decline in the number of Latin teachers poses a serious threat to the teaching of the language in schools, peers have been told.

Lord Faulkner of Worcester said he was concerned the number of Latin teachers leaving the profession each year was far outnumbering those being trained.

He urged the government to give Latin the same priority in the curriculum as modern languages to reverse this trend.

Ministers said modern languages were their priority at primary school level.

Important subject

For every 35-40 new Latin teachers entering the profession every year, more than 60 were either retiring or opting to do something else, Labour peer Lord Faulkner said in the House of Lords.

He also expressed dismay about the 85% of state schools he said did not currently teach Latin at all.

"Isn't it time that Latin was reclassified as an official curriculum language and given the same encouragement as other languages?" he told peers.

Where individual schools could not offer Latin, ministers should urge local education authorities to include the subject somewhere on their curriculum.

For the government, Baroness Morgan of Drefelin said Latin was an "important subject" and a valuable tool in helping people learn a broad range of other languages.

She said it was "worrying" if a growing number of teachers were exiting the profession, for whatever reason, every year.

The number of non-selective state schools offering Latin had doubled since 2000, she said, while there would be a consultation on Latin's inclusion in the languages diploma next year

But she stressed: "It is for schools to decide whether it should be included in the curriculum."

Figures published earlier this year showed the number of non-selective state secondary schools in England teaching Latin rose from 200 in 2000 to 471 last year.

But education specialists have expressed concerns that the rise in pupils learning the language is limited to Key Stage 3 pupils aged 12-14 and is not mirrored at GCSE and A-level.

There are also concerns about a continuing shortage in the number of postgraduate teaching colleges offering Latin courses.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Capadócia

Cento e quarenta mil guerreiros de Mitrídates do Ponto
- cavalaria, archeiros, lanças, espadas, elmos, escudos -
entram num território estrangeiro que se chama Capadócia.
O exército estende-se por muitos quilómetros. Os cavaleiros lançam
olhares lúgubres, agoirentos, em redor. Envergonhado da sua nudez,
o espaço sente que, a cada passo dos homens, o longe
se transforma no perto. Especialmente as montanhas, cujos
cumes - igualmente cansados de auroras
vermelhas, crepúsculos roxos, nuvens grossas -
ganham mais agudeza, senão nitidez, com
os olhares penetrantes dos estrangeiros. Visto de longe,
o exército parece um rio que serpenteia entre os penedos,
cujas nascente faz o que pode para não ficar muito atrás da foz,
que, por seu turno, olha de vez em quando para trás, para a nascente.
E o terreno, à medida que o exército avança para oriente,
reflectido no espelho das águas daquele rio de homens, de coisa estranha

transforma-se, por um momento, num impassível, sublime pano de fundo
da história. Trepida o solo com o estrépito de sapatas ferradas, ressoam pragas
armaduras chocalham, os estribos batem contra as espadas,
há gritaria, as lanças são floresta. De repente, o batedor puxa as rédeas
ao cavalo e estaca, pregado ao solo: realidade ou alucinação?
Ao longe, ocupando todo o campo, dum lado ao outro do planalto,
estão as legiões de Sula. Sula, esquecendo Mário,
trouxe aqui as legiões para tirar a limpo a quem,
apesar do selo da lua invernal,
pertence a Capadócia. Tendo feito alto, o exército,
toma posição para a batalha. O pedregoso planalto
parece pela última vez um lugar onde nunca ninguém morreu.
Fogueiras, gargalhadas. Cantam "A raposa caíu na armadilha".
O rei Mitrídates, reclinado numa laje lisa, tem em sonhos
uma visão irresistível: um corpo nu, seios, os húmidos caracóis da nuca.

(....)

Iosif Brodskii

Ilíada para jovens

O tradutor da Ilíada, da Odisseia, entre outros, autor dos recém-editados Novos Ensaios Helénicos e Alemães, Frederico Lourenço tinha já adaptado a Odisseia para jovens. Os Livros Cotovia anunciam agora para breve a adaptação da Ilíada para jovens feita pelo mesmo autor.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Colóquio Sociedade e Poder no tempo de Ovídio

Recorda-se, através da citação de informação recebida do Centro de História da Universidade de Lisboa, o colóquio a realizar nos próximos dias 11 e 12 deste mês:
O Centro de História da Universidade de Lisboa, através da sua linha investigação Mundo Antigo e Memória Global, em colaboração com o Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra, vem por este meio divulgar o Colóquio Sociedade e Poder no tempo de Ovídio. A assinalar o bimilenário do «exílio» de Ovídio, coordenado pelos Professores Nuno Simões Rodrigues e Maria Cristina de Sousa Pimentel, e que se realizará nos próximos dias 11 e 12 de Dezembro, no Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. A entrada no Colóquio é livre, destinando-se a inscrição, no valor de EUR 5, à obtenção do certificado de presença. Em anexo seguem cartaz de divulgação e desdobrável com o programa e boletim de inscrição. Para qualquer informação, queiram por favor contactar o secretariado do Colóquio, através do email centro.historia@fl.ul.pt.

O programa definitivo encontra-se aqui.

domingo, novembro 30, 2008

cartaz

«Morto buscava a Madalena a Cristo na sepultura, e a perseverança e amor com que insistiu em o buscar morto, foi causa de que o Senhor lhe enxugasse as lágrimas e se lhe mostrasse vivo. Grande exemplar temos entre mãos! Assim como a Madalena, cega de amor, chorava às portas da sepultura de Cristo, assim Portugal, sempre amante de seus reis, insistia ao sepulcro de el-rei D. Sebastião, chorando e suspirando por ele; e assim como a Madalena no mesmo tempo tinha a Cristo presente e vivo, e o via com seus olhos e lhe falava e não o conhecia, porque estava encoberto e disfarçado, assim Portugal tinha presente e vivo a el-rei nosso senhor, e o via e lhe falava e não conhecia. Porquê? - Não só porque estava, senão porque ele era o encoberto
Sermão dos Bons Anos, IV

sábado, novembro 29, 2008

A conquista de Tebas segundo Gus van Sant

I conquered Thebes.
When?
[Inhales deeply] Two weeks ago.
How'd you do it?
Well, I got…I did more than that, actually.I said to Gerry…[Clears throat]”I ruled this land for 97 years, and…" “…and I'd like it.”I had all the sanctuaries built, and then I…This hot lava leaked out of a volcano and half destroyed my sanctuary to Demeter, I guess it was.And…But I didn't have the marble to rebuild, like, the sculptures and that to fix the sanctuary. I had all these docks too, like, Calydon and Argos and…I had everything.Everything.I was trading with, like, 12 cities and… I had a really good army.But the river had just flooded. And it flooded out,like, four of my docks, and I couldn't import the marble to rebuild the sanctuary. Demeter got pissed off, and she made my fields infertile. And then…So I couldn't grow the grass. I couldn't grow the wheat to feed the horses. And there was no…I couldn't…And there was nowhere for the Stephens to graze.And some of my people were growing hungry and restless, and then…And I couldn't trade because the rivers had flooded.And so, Knossos, one of my vassals,got really upset with me and turned against me.And they… attacked me.And because I couldn'ttrain any sheep'cause I didn't have the wheat.I didn't have…I didn't have a, um, a…
You couldn't train sheep?
I couldn't train the horses because I didn't have wheat.And so when they attacked me,they just dogged me. And I actually went to send my army out to defend the city, and you can only send them out if you have 12 trained horses,and I had 11.So I was one horse shy…of almost saving my city.
So then you didn't really…

Oh, I had just conquered Thebes, and then that happened.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Há 2016 anos, morria o poeta Quinto Horácio Flaco.

Horácio foi "uma das mais brilhantes figuras literárias do século de Augusto", tendo desde cedo na nossa literatura influenciado diversos autores nacionais (este influxo ficou conhecido por horacianismo). "Esta influência exerceu-se, quer pela leitura directa do texto das Odes, quer pela doutrinação estética derivada da Epístola aos Pisões (...). Pode datar-se historicamente o culto pela lírica horaciana do surto erudito que leva à redescoberta das literaturas antigas e se integra no movimento geral do Renascimento." "Com o surto do Romantismo, a voga do vate latino parece entrar no seu declínio, mas não sem que surjam ainda alguns autores cuja obra é como um fruto tardio no meio das modas literárias do tempo." "A sensibilidade moderna ainda pode vibrar à leitura do texto latino e um dos nossos poetas mais intelectualizados, Fernando Pessoa, atinge no livros das Odes (...) uma sóbria e marmórea disciplina formal, em que se evidencia uma profunda assimilação dos valores estéticos, verbais e rítmicos, do horacianismo". Luís de Sousa Rebelo, A Tradição Clássica na Literatura Portuguesa (Lisboa: Livros Horizonte, 1982), 106, 109, e 110.