domingo, junho 03, 2007
Catulo 8
Pobre Catulo, deixa-te de loucuras,
e o que vês finado considera-o perdido.
Luziram-te outrora sóis brilhantes,
quando ias e vinhas para onde te levava uma miúda,
amada por mim como nenhuma outra será amada.
Então tantas brincadeiras havia,
que tu querias e a miúda não dizia que não.
Luziram-te sem dúvida sóis brilhantes.
Agora ela já não quer. Tu, delirante, não queiras também,
nem corras atrás de quem foge, nem vivas infeliz,
mas sofre de ânimo firme e endurece.
Adeus miúda, já Catulo endureceu,
e não te procurará nem te implorará contrariada.
Mas tu lamentarás, quando ninguém te procurar.
Ai de ti, desgraçada, que vida te resta?
Quem se chegará agora a ti? A quem parecerás bela?
Quem amarás agora? De quem dirás ser?
Quem beijarás? De quem morderás os lábios?
E tu, Catulo, determinado endurece.
(Catulo, carme 8)
miser Catulle desinas ineptire
et quod uides perisse perditum ducas
fulsere quondam candidi tibi soles
cum uentitabas quo puella ducebat
amata nobis quantum amabitur nulla
ibi illa multa cum iocosa fiebant
quae tu uolebas nec puella nolebat
fulsere uere candidi tibi soles
nunc iam illa non uult tu quoque impotens noli
nec quae fugit sectare nec miser uiue
sed obstinata mente perfer obdura
uale puella iam Catullus obdurat
nec te requiret nec rogabit inuitam
at tu dolebis cum rogaberis nulla
scelesta uae te quae tibi manet uita
quis nunc te adibit cui uideberis bella
quem nunc amabis cuius esse diceris
quem basiabis cui labella mordebis
at tu Catulle destinatus obdura
Etiquetas:
Catulo,
Literatura latina,
Tradução
Catulo 70
[Kolb - Mimosa leaves]Com nenhum outro diz a minha amada querer casar-se
senão comigo, nem se lho pedisse o próprio Júpiter.
Diz ela, mas o que diz mulher a amante apaixonado,
no vento e na água violenta convém escrever.
(Catulo, carme 70)
nulli se dicit mulier mea nubere malle
quam mihi non si Iuppiter ipse petat
dici sed mulier cupido quod dicit amanti
in uento et rapida scribere oportet aqua
senão comigo, nem se lho pedisse o próprio Júpiter.
Diz ela, mas o que diz mulher a amante apaixonado,
no vento e na água violenta convém escrever.
(Catulo, carme 70)
nulli se dicit mulier mea nubere malle
quam mihi non si Iuppiter ipse petat
dici sed mulier cupido quod dicit amanti
in uento et rapida scribere oportet aqua
Etiquetas:
Catulo,
Literatura latina,
Tradução
Catulo 58
A nossa Lésbia, Célio, aquela Lésbia,
aquela Lésbia, a única que Catulo
mais do que a si mesmo e aos seus amou,
agora em esquinas e vielas
esfrega os netos do nobre Remo.
(Catulo, carme 58)
Caeli Lesbia nostra Lesbia illa
illa Lesbia quam Catullus unam
plus quam se atque suos amauit omnes
nunc in quadriuiis et angiportis
glubit magnanimi Remi nepotes
Etiquetas:
Catulo,
Literatura latina,
Tradução
Catulo 72
Dizias tu outrora que só Catulo conhecias,
Lésbia, que nem Júpiter em vez de mim querias.
Amei-te então não como homem a amante,
mas como ama pai filhos e genros.
Agora conheço-te. Por isso, se mais muito mais ardo,
para mim és tão mais vulgar e inconstante.
Como é possível? - perguntas. É que injúria tal
obriga o amante a amar mais, mas a querer bem menos.
(Catulo, carme 72)
dicebas quondam solum te nosse Catullum
Lesbia nec prae me uelle tenere Iouem
dilexi tum te non tantum ut uulgus amicam
sed pater ut gnatos diligit et generos
nunc te cognoui quare etsi impensius uror
multo mi tamen es uilior et leuior
qui potis est inquis quod amantem iniuria talis
cogit amare magis sed bene uelle minus
Etiquetas:
Catulo,
Literatura latina,
Tradução
Catulo 75
Até aqui desceu por culpa tua minha alma, Lésbia,
e de tal maneira se perdeu ela do seu mester
que já não pode bem querer-te, tornasses-te tu a melhor,
nem deixar de te amar, ainda que por isso tudo faças.
(Catulo, carme 75)
huc est mens deducta tua mea Lesbia culpa
atque ita se officio perdidit ipsa suo
ut iam nec bene uelle queat tibi si optima fias
nec desistere amare omnia si facias
Etiquetas:
Catulo,
Literatura latina,
Tradução
Catulo 56
Ó coisa risível, Catão, e divertida,
e digna do teu ouvido e da tua gargalhada!
Ri, Catão, se realmente gostas do Catulo.
É coisa risível e muito engraçada:
apanhei há pouco um miúdo a dar
numa miúda. Ora eu, com a ajuda de Dione,
caí sobre ele com a minha tusa como arma!
(Catulo, carme 56)
o rem ridiculam Cato et iocosam
dignamque auribus et tuo cachinno
ride quidquid amas Cato Catullum
res est ridicula et nimis iocosa
deprendi modo pupulum puellae
trusantem hunc ego si placet Dionae
pro telo rigida mea cecidi
Etiquetas:
Catulo,
Literatura latina,
Tradução
Catulo 3
Chorai, ó Vénus e Cupidos,
e quantos homens há sensíveis:
morreu o pardalito da minha miúda,
o pardalito, o mais-que-tudo da minha miúda,
que ela mais do que os seus olhos amava.
Era na verdade doce, e a dona conhecia
tão bem como menina a sua mãe.
E não saía do seu colo,
mas, saltitando ora para aqui ora para ali,
só para a sua dona pipilava sem parar.
Vai ele agora por caminho tenebroso
para esse lugar, donde dizem nunca ninguém voltou.
Malditas vós, trevas funestas
do Orco, que todas as coisas belas devorais:
tão belo pardalito me arrebatastes!
Ó maldade! Ó pobrezito pardalito!
Por tua causa vermelham de chorar
os olhinhos inchadinhos da minha miúda!
(Catulo, carme 3)
lugete o Veneres Cupidinesque
et quantum est hominum uenustiorum
passer mortuus est meae puellae
passer deliciae meae puellae
quem plus illa oculis suis amabat
nam mellitus erat suamque norat
ipsam tam bene quam puella matrem
nec sese a gremio illius mouebat
sed circumsiliens modo huc modo illuc
ad solam dominam usque pipiabat
qui nunc it per iter tenebricosum
illuc unde negant redire quemquam
at uobis male sit malae tenebrae
Orci quae omnia bella deuoratis
tam bellum mihi passerem abstulistis
o factum male o miselle passer
tua nunc opera meae puellae
flendo turgiduli rubent ocelli
Etiquetas:
Catulo,
Literatura latina,
Tradução
Catulo 16
O cu e a boca vos foderei eu,
Aurélio minha bicha, Fúrio meu paneleiro,
que pelos meus versinhos me julgam,
por tão delicadinhos serem, pouco virtuoso.
É que casto deve ser o bom poeta,
não têm de o ser os seus versinhos,
que além do mais têm picante e graça,
sendo tão delicadinhos e pouco virtuosos,
e se podem provocar comichões,
não digo aos miúdos, mas a estes peludos
que não conseguem mexer as duras piças.
Vocês, porque "muitos milhares de beijos"
me leram, acham que eu sou pouco macho?
O cu e a boca vos foderei eu!
(Catulo, carme XVI)
pedicabo ego uos et irrumabo
Aureli pathice et cinaede Furi
qui me ex uersiculis meis putastis
quod sunt molliculi parum pudicum
nam castum esse decet pium poetam
ipsum uersiculos nihil necesse est
qui tum denique habent salem ac leporem
si sunt molliculi ac parum pudici
et quod pruriat incitare possunt
non dico pueris sed his pilosis
qui duros nequeunt mouere lumbos
uos quod milia multa basiorum
legistis male me marem putatis
pedicabo ego uos et irrumabo
Etiquetas:
Catulo,
Literatura latina,
Tradução
Catulo 5
Vivamos, Lésbia minha, e amemos.
A má-língua dos velhos mais sisudos
não mais do que um tostão nos valha.
Podem os dias morrer e nascer:
quando a breve luz de vez morrer
noite perpétua devemos juntos dormir.
Dá-me beijos mil, e depois cem,
e depois mil outros, e depois mais cem,
e depois ainda mais mil, e depois cem.
Depois, quando muitos dermos,
baralhá-los-emos para não sabermos quantos,
ou não possa homem mau invejar-nos,
ao saber quantos beijos démos.
(Catulo, carme V)
uiuamus mea Lesbia atque amemus
rumoresque senum seueriorum
omnes unius aestimemus assis
soles occidere et redire possunt
nobis cum semel occidit breuis lux
nox est perpetua una dormienda
da mi basia mille deinde centum
dein mille altera dein secunda centum
deinde usque altera mille deinde centum
dein cum milia multa fecerimus
conturbabimus illa ne sciamus
aut ne quis malus inuidere possit
cum tantum sciat esse basiorum
Etiquetas:
Catulo,
Literatura latina,
Tradução
Catulo 85
Odeio e amo. Porque o faço, talvez perguntes.
Não sei. Mas sinto-o. E excrucio-me
(Catulo, carme 85)
odi et amo quare id faciam fortasse requiris
nescio sed fieri sentio et excrucior
Etiquetas:
Catulo,
Literatura latina,
Tradução
Catulo 32
Por favor, minha doce Ipsitila,
minha linda, minha doçura,
manda te visite à hora da sesta.
E se o mandares bom será que
ninguém ponha tranca na porta,
nem te apeteça ir à rua,
mas que fiques em casa e nos prepares
nove fodas seguidas.
A sério, se te apetece mesmo, manda depressa,
pois almoçado e cheio de barriga para o ar
já rasgo não só a túnica mas também o pálio!
(Catulo, carme 32)
amabo mea dulcis Ipsitilla
meae deliciae mei lepores
iube ad te ueniam meridiatum
et si iusseris illud adiuuato
ne quis liminis obseret tabellam
neu tibi lubeat foras abire
sed domi maneas paresque nobis
nouem continuas fututiones
uerum si quid ages statim iubeto
nam pransus iaceo et satur supinus
pertundo tunicamque palliumque
sábado, maio 19, 2007
Manuscritos Gregos quinhentistas no espaço peninsular hispânico

Testemunhos de um Humanismo Bifronte:
Manuscritos Gregos quinhentistas no espaço peninsular hispânico
Manuscritos Gregos quinhentistas no espaço peninsular hispânico
Seminário
Data: 2007. 05. 25
Hora: 10.00 horas
Sala: Centro de Estudos Clássicos
Data: 2007. 05. 25
Hora: 10.00 horas
Sala: Centro de Estudos Clássicos
1. Ángel Escobar Chico, Professor da Universidade de Saragoça:
Manuscritos gregos na Península Ibérica: dados e problemas de descrição
2. Aires A. Nascimento, Director do CEC / Fac. Letras, Lisboa
Manuscritos gregos na biblioteca do arcebispo de Évora, D. Teotónio de Bragança
Etiquetas:
Conferência,
Humanismo,
Literatura grega
terça-feira, abril 17, 2007
Marcos miliários
Na sequência do ciclo de palestras dos "Encontros Era", tem lugar amanhã, dia 18 de Abril de 2007, pelas 18:30h, no Museu Nacional de Arqueologia, a conferência "Sobre os marcos miliários de Almoinhas (Loures) e alguns problemas da viação romana no território de Olisipo", pelo professor Amílcar Guerra, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Etiquetas:
Arqueologia,
Conferência,
Cultura romana,
FLUL
quinta-feira, março 29, 2007
terça-feira, março 20, 2007
Estudos Clássicos - Candidaturas para maiores de 23 anos
Já está em linha a página de divulgação das candidaturas para maiores de 23 anos ao curso de Estudos Clássicos, na Universidade de Lisboa.
http://estudosclassicos.googlepages.com/maiores23
http://estudosclassicos.googlepages.com/maiores23
segunda-feira, março 05, 2007
Curso "El impacto egipcio en Roma"
Decorre em Mérida, entre 23 e 24 de Março, o curso "El impacto egipcio en Roma":
La conquista de Egipto por parte de Roma producida en el año 30 a C., causó un considerable impacto en la sociedad romana. Aunque ya lo había hecho con anterioridad, Roma dirigió su mirada sobre las maravillas del antiguo Egipto y se produjo así lo que se ha dado en llamar la egiptomanía, que se hizo presente en diversas manifestaciones de la Roma Imperial.
El curso se ha organizado para presentar algunos de los más importantes aspectos de este fenómeno.
Etiquetas:
Cultura romana,
Cursos,
Egipto
domingo, março 04, 2007
Júlio César no São Luiz
A Cornucópia, em parceria com o Teatro Municipal de São Luiz (TMSL), apresenta entre 21 de Março e 22 de Abril a Tragédia de Júlio César, de Shakespeare, encenada por Luís Miguel Cintra. Associada à representação, o TMSL organiza ainda dois eventos bastante prometedores: uma conversa entre os professores José Pedro Serra e Maria Helena Serôdio (FLUL) subordinada ao tema Júlio César, mito e história (17 de Março, 18:30, Jardim de Inverno); uma visita temática ao Museu Nacional de Arqueologia, com o tema O culto imperial em Roma (24 e 31 de Março, 14 e 28 de Abril).
Etiquetas:
Arqueologia,
Cornucópia,
FLUL,
José Pedro Serra,
Júlio César,
Maria Helena Serôdio,
Shakespeare,
Teatro
Magnum Miraculum est Homo
Etiquetas:
Ana Tarrío,
Colóquio,
FLUL,
Humanismo
sábado, março 03, 2007
José Pedro Serra, "Pensar o Trágico"
"Perguntar o que é a tragédia significa aceitar a tradição, querer ver o que os outros viram e integrar isso numa mais ampla e não ingénua visão; perguntar o que é a tragédia significa, pois, aceitar a história, interpelando-a. De acordo com o que em cada visão se vê, o homem, em cada época, se faz gesto e pensamento; esse contínuo e renovado erguer-se, a si e ao mundo, é obra de cultura e a cultura é obra humana, rasto humano na poeira pelo tempo levantada. Perguntar o que é a tragédia é, então, cultura sobre cultura debruçando-se, revisitação, demanda prolongada do rosto do homem e da realidade que habita. A demanda move-se pelo desejo, e o desejo de ver, de conhecer, é a afortunada maldição da nossa condição de seres mortais".
José Pedro Serra, Pensar o Trágico. Categorias da Tragédia Grega. Fundação Calouste Gulbenkian, 2006. ISBN: 972-31-1166-7
Etiquetas:
FLUL,
José Pedro Serra,
Literatura grega,
Publicações,
Tragédia
sexta-feira, março 02, 2007
Novo romance de Steven Saylor: "Roma"
Steven Saylor consegue a difícil façanha de escrever sobre Roma, com um rigor científico irrepreensível, sem que pareça, em momento nenhum, que está a dar uma aula de história ou cultura.
Gordiano o Descobridor (não sei como está a tradução portuguesa de "Gordianus the Finder", li a obra sempre no original), o protagonista e narrador, tem uma imperfeição rara de encontrar em detectives e investigadores policiais de ficção, o que o torna talvez a mais verosímil e autêntica personagem do género que já li.
Por estas e muitas outras razões, a série Roma sub Rosa é imprescindível para quem gosta de romances de mistério e/ou policiais - e mesmo para quem não gosta, como é o meu caso. Segundo o próprio Steven Saylor me disse, confirmando a informação presente na sua página, a série não terminou, e em 2008 Gordiano regressará com mais aventuras. Entretanto, para todos os admiradores do escritor fica este novo romance, que segue um caminho bastante diferente. Enquanto não o leio, aqui deixo a resenha presente na sua página.
"Spanning a thousand years, and following the shifting fortunes of two families though the ages, this is the epic saga of Rome, the city and its people.
Drawing on history, legend, and new archaeological discoveries, Roma gives new life to the drama of the city’s first thousand years — from the founding of the city by the ill-fated twins Romulus and Remus, through Rome’s astonishing ascent to become the capitol of the most powerful empire in history. Roma recounts the tragedy of the hero-traitor Coriolanus, the capture of the city by the Gauls, the invasion of Hannibal, the political struggles of patricians and plebeians, and the death of Rome’s republic with the triumph, and assassination, of Julius Caesar.
Witnessing this history, and sometimes playing key roles, are the descendents of two of Rome’s first families, the Potitius and Pinarius clans. One is the confidant of Romulus. One is born a slave and tempts a Vestal virgin to break her vows. One becomes a mass murderer. And one becomes the heir of Julius Caesar. Linking the generations is a mysterious talisman as ancient as the city itself."
Etiquetas:
Cultura romana,
Romance Histórico,
Steven Saylor
Subscrever:
Mensagens (Atom)


