«Então entre eles tomou a palavra o divino Teoclímeno:
"Ah, desgraçados! Que mal sofreis? A noite encobre
as vossas cabeças, os vossos rostos, e até os vossos joelhos
por baixo! Ardem os gritos de dor, cheias de lágrimas estão
as vossas faces, e manchadas
de sangue as paredes e o tecto.
O adro está repleto de fantasmas; repleto está o pátio;
para a escuridão do Érebo se precipitam e o sol
desapareceu do céu e tudo cobre a bruma do mal."
Passagem sobre o eclipse na Odisseia, Canto XX, versos 350 a 357
Ed. Livros Cotovia
Tradução de Frederico LourençoTerá Homero feito uma alusão velada ao facto de que, no dia em que Ulisses regressa a casa, houve um eclipse total do Sol em Ítaca? Fala-se disso há séculos, mas já ninguém acreditava. Só que, agora, novos dados científicos parecem confirmá-lo.»
quinta-feira, junho 26, 2008
Homero e o eclipse
Church 'comeback' for Latin mass
A mass to be held in Latin at Westminster Cathedral has been hailed as a sign that the use of Latin in church services is returning to the UK.The Latin mass was replaced by modern national languages after the reforming Second Vatican Council of the 1960s.But Cardinal Dario Hoyos's holding of a Latin Mass has been seen by Catholic traditionalists as a signal to the church leadership in England and Wales.Supporters of the traditional mass say it is popular among young Catholics.'Pick-and-choose' religionFollowing the reforming Second Vatican Council of the 1960s - although the Council did not rule Latin out, many Catholics did not speak it and so Latin gave way to modern national languages.Many British bishops were reluctant to grant permission to priests to celebrate mass in Latin, and some refused to do so.But last year Pope Benedict ruled that priests no longer had to secure special permission from their bishop to conduct mass in Latin.And the presence of Cardinal Hoyos - a senior adviser to the Pope - celebrating Latin Mass in one of the country's principal Catholic cathedrals, has been interpreted by some in the Church as a pointed gesture to the relatively liberal leadership in England and Wales.There is evidence of a demand for the Latin mass from young Catholics in particular, some of whom claim it represents a wider rejection of a modern pick-and-choose attitude to the religion.
segunda-feira, junho 16, 2008
Bloomsday

«Rhythm begins, you see. I hear. A catalectic tetrameter of iambs marching. No, agallop: deline the mare.»
Fragmentos Poéticos
Terêncio, Comédias
segunda-feira, junho 09, 2008
Número de alunos a aprender Latim diminuiu 80 por cento em dois anos
O número de alunos a aprender Latim diminuiu 80 por cento nos últimos dois anos lectivos. Perante os números, professores e investigadores temem o desaparecimento de uma disciplina que desenvolve o raciocínio e facilita a aprendizagem de todas as línguas.
Este ano estão inscritos para realizar o exame nacional de Latim 313 alunos. Em 2006 eram 1651. Em todo o país, só quatro por cento das escolas secundárias oferece aos estudantes a possibilidade de aprender a disciplina conhecida como a "Matemática das Letras".
"O ensino das Humanidades está cada vez mais desvalorizado e o caso do Latim, em vias de desaparecimento, reflecte esse problema. O discurso político passa a ideia de que 'letras são tretas' e o que é preciso são as tecnologias e as ciências exactas", lamenta Paula Dias, investigadora do Instituto de Estudos Clássicos, da Universidade de Coimbra.
O problema, assegura, é quase exclusivamente português. Em Espanha e França, por exemplo, não tem havido redução do número de estudantes a aprender os clássicos e em países como a Inglaterra e a Alemanha, cujos idiomas nem sequer têm origem latina, o ensino "tem sido muito divulgado e incentivado pelo Estado".
Os dados do Reino Unido não deixam dúvidas: entre 2004 e 2007 mais do que duplicou o número de secundárias a leccionar a disciplina e há mesmo 2500 escolas do primeiro ciclo que dão às crianças introdução ao Latim para as ajudar na aprendizagem da gramática inglesa.
"Nós andamos sempre ao contrário dos outros. Lá fora percebem a importância do ensino da cultura clássica. Cá, os nossos governantes acham que só as tecnologias são importantes", corrobora Isaltina Martins, presidente da Associação de Professores de Latim e Grego (APLG).
Secretário de Estado diz que o problema é a falta de interesse dos alunos
Já o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, entende que o problema não está nas políticas educativas, mas nos estudantes, que simplesmente "não estão interessados".
"Temos professores para ensinar Latim, mas não há procura. O problema existe nas línguas clássicas no geral e até em algumas línguas modernas. Tem a ver com as expectativas e os interesses das famílias", explica.
Para a investigadora do Instituto de Estudos Clássicos, o desinteresse só revela "a falta de apreço geral dos portugueses pelo seu património cultural e literário". Paula Dias lamenta que o Ministério da Educação não tente combater esta realidade, promovendo o ensino de Latim, e questiona: "Como podem os alunos escolher o que não conhecem?".
Talvez muitos optassem de forma diferente, afirma, se soubessem que a disciplina "facilita imenso a aprendizagem de todas as línguas, por ser matriz de muitos idiomas, ajudando a compreender melhor a etimologia e o vocabulário".
Mas as vantagens não são apenas ao nível das línguas e do conhecimento da história e cultura clássica, em que se baseia a Europa. Os especialistas garantem que o Latim é uma "verdadeira ginástica mental, como a Matemática", desenvolvendo o raciocínio lógico, a memorização e a capacidade de concentração.
Para muitos estudantes portugueses, o Latim ainda é apenas sinónimo de aulas difíceis e sem utilidade prática, implicando "competências habitualmente definidas como chatas, como a memorização".
quarta-feira, junho 04, 2008
Roman history
But oblige me by taking away that knife. I can't look at the point of it. It reminds me of Roman history.
James Joyce, Ulysses
segunda-feira, junho 02, 2008
Dicionário Editora de Latim-Português
sábado, maio 31, 2008
quarta-feira, maio 28, 2008
The Triumph of Caesar
sábado, maio 24, 2008
Novos achados em Mértola
Mértola continua a revelar os vestígios do seu passado, sempre que se abre um buraco no chão. Agora foi a construção de uma nova rede de esgotos que devolveu à luz do dia vestígios romanos e paleocristãos. A notícia vem desenvolvida no Público de hoje.
sábado, maio 17, 2008
Homero, Ovídio, Marco Aurélio, Epicuro, Séneca
Acabam de ser também publicados os Pensamentos de Marco Aurélio e um volume com a Carta sobre a felicidade de Epicuro e Da vida feliz de Séneca.
Os preços são bastante atractivos, oscilando entre 5 e os 13 euros.
Oxford Latin Mini Dictionary
annus horribilis
annus mirabilis
Carpe diem
Cogito, ergo sum
Cui bono?
Dulce et decorum est pro patria mori
Et tu, Brute?
Lacrimae rerum
Mens sana in corpore sano
Nil carborundum illegitimi
Nil desperandum
O tempora, o mores
Quis custodiet ipsos custodes?
Tempus fugit
Vae uictis
Veni, uidi, uici
Muito recomendável.
sexta-feira, maio 16, 2008
Conferência "Nós e os Árabes"

20 de Maio de 2008, Lisboa, Museu-Escola de Artes Decorativas Portuguesas da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva
A conferência "Nós e os Árabes" terá lugar a 20 de Maio de 2008, pelas 18h, no Museu-Escola de Artes Decorativas Portuguesas da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva, em Lisboa.
Enquadramento
O evento insere-se no âmbito do Ano Europeu para o Diálogo Intercultural 2008 e faz parte de um ciclo de conferências temáticas sobre a diversidade artística e cultural, "Olhar as Artes do Outro: Diálogos Interculturais". Inclui uma prova de sabores luso-árabes.
Orador
Cláudio Torres
Organização
Museu-Escola de Artes Decorativas Portuguesas da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva (FRESS)
Participação
Entrada gratuita
Mais informações aqui:
http://www.fress.pt/Default.aspx?Tag=CONTENT&ContentId=60
quinta-feira, maio 15, 2008
Encontrado busto de Júlio César
Vaticano em Latim
A política actual e os clássicos: o novo mayor de Londres
What can Boris learn from the classics?
The new London mayor, Boris Johnson, has been accused of lacking experience and political nous, but he has always boasted one qualification for government - a good grasp of Latin, Greek and classical history. So just what lessons can a modern politician learn from antiquity?
The place of classics in the great British education has declined in recent years.
Once upon a time, an Oxbridge classics degree was considered the cream of all qualifications, a gold standard for young people planning a career in the professions, the civil service and even government.
Boris Johnson's father Stanley summed it up in a newspaper interview at the weekend, saying: "In the days when Britain ruled more than a quarter of the world, a classical education was considered more than adequate training for the job of handling populations certainly as large and diverse as London's."
Johnson himself has spoken of the value of the classics in understanding modern politics, having written a book comparing the European Union with the Roman Empire, and suggesting every child be taught Latin.
But can the modern politician draw any lessons from the classical historian and philosophers?
WATCH YOUR BACK
If there's one thing the classics gives you, it's a sense of what a precarious business being in charge is. Take the Twelve Caesars by the Roman historian Suetonius. It is a story dominated by a central theme - political leaders who let power go to their heads and then pay the consequences.
Of the first eight Roman emperors, only one - Augustus - died a natural death. His successors often suffered grisly fates.
The emperor Tiberius, Augustus's adopted son, was reported to have been either poisoned, denied food while ill, or smothered. One of his many failings was his withdrawal from affairs of state, leaving these in the hands of the murderous Praetorian Guards commander Sejanus, and later his soon-to-be-successor, the insane Gaius Caligula.
Caligula was murdered by his own guards after a reign characterised by murders. The next emperor, Claudius, was probably poisoned on the orders of his wife. Future emperors had to watch out for children, wives, bodyguards, and generals. And who to delegate power to remains one of the key challenges for any leader.
WATCH WHAT YOU SAY
Johnson is not alone among modern politicians to have suffered controversy because of a tendency to talk volubly when it might have been better to remain circumspect.
In the classical world there was a great value placed on not saying too much. Many of the great aphorisms that have made it to the present day are the most pithy. "Veni, vidi, vici" or "I came, I saw, I conquered" - famously uttered by Julius Caesar - has been drummed into many a British schoolchild's head.
As Plato once said: "The wise man speaks because he has something to say, the fool because he has to say something."
But the masters of classical pithiness were the Spartans of Greece. It is said Philip of Macedon once sent a hostile message to the Spartans saying something along the lines of "if I bring my army down to Sparta, I will knock down the walls and kill everybody". The Spartan oligarchs reportedly sent back the one-word reply "if".
PRETEND TO BE STUPID
Supporters of Johnson have long denied that he has affected silliness in order to disguise his considerable intellect. But this was not unknown as a tactic in the ancient world.
"They conceal their wisdom, and pretend to be blockheads, so that they may seem to be superior only because of their prowess in battle." So Socrates, as quoted by Plato, described the Spartans.
And pretending to be stupid is supposed to have saved the life of the emperor Claudius when all his relatives were being murdered in a political merry-go-round.
Suetonius reports: "Instead of keeping quiet about his stupidity, Claudius explained, in a few short speeches, that it had been a mere mask assumed for the benefit of Caligula, and that he owed both his life and throne to it. Nobody, however, believed him."
WATCH OUT FOR BIOGRAPHERS
Biographies and autobiographies have long been a thorn in the side of the modern politician. It has been suggested that the current crop - including those of Lord Levy and Cherie Blair - may be causing some discomfort to Gordon Brown. But any student of the classics will know this has always been a problem.
Perhaps the best example is of Procopius, historian to the Eastern Roman Emperor Justinian. Apparently a loyal chronicler to his boss, he churned out eight volumes on the emperor's reconquest of Italy and north Africa.
But the same man who wrote the history of the wars is also credited with writing perhaps the most bilious biography of a political leader ever, the Secret History or Anekdota. The wise Justinian of the earlier histories became, in the infamous Secret History, a murderous, grasping, spendthrift, state-wrecker, controlled by his wife.
"Without the slightest hesitation he used to embark on the inexcusable murdering of his fellow-men and the plundering of other people's property... he was a unique destroyer of valuable institutions," wrote Procopius.
And much as recent occupants of Downing Street might have smarted from the revelation in books by Lance Price and Christopher Meyer they should be grateful there wasn't a Procopius around. The following assessment of a leader could have been written in recent years.
"This emperor was dissembling, crafty, hypocritical, secretive by temperament, two-faced; a clever fellow with a marvellous ability to conceal his real opinion, and able to shed tears, not from any joy or sorrow, but employing them artfully when required in accordance with the immediate need, lying all the time."
The emperor's wife Theodora gets it too.
"There was not a particle of modesty in the little hussy... she would throw off her clothes and exhibit naked to all and sundry those regions... which the rules of decency require to be kept veiled and hidden from masculine eyes."
But the Secret History was not published in Justinian's lifetime. Emperors always had the option of executing those who wrote unflattering works and burning all copies.
Modern politicians have to content themselves with keeping an eye out for those with an axe to grind.
BUILDINGS MAKE A GOOD LEGACY
Another lesson Johnson will take from antiquity is that the enduring legacy of any leader is very often the buildings they leave behind.
On his deathbed, according to the Roman historian Cassius Dio, the Emperor Augustus boasted: "I found Rome of clay; I leave it to you of marble."
And can it be any coincidence that many of the better-regarded Roman emperors are those that have left great buildings - Claudius left a great aqueduct, Vespasian the colosseum. And Justinian, for all the badmouthing he gets from Procopius, at least left the world with a building as magnificent as the Hagia Sophia.
While wary of any future Millennium Domes, the modern British politician will still appreciate the value of leaving a monument or two.
Here is a selection of your comments.
“Tacitus, the Roman historian, summed up the emperor Galba in four words: "capax imperii nisi imperasset" or "up to the job until he did it". A possible epitaph for Gordon Brown?” Andrew Guest, London
“Yep, lets us look forward to Boris implementing the Spartan ideas on proto-communism, the state as a military training camp, state controlled infanticide, secret police etc, all vote winners.” A Hughes, Manchester
“No such place as Oxbridge may exist, but then neither does Redbrick. Both were terms coined by the Liverpool academic EL Peers who wrote under the pseudonym Bruce Truscot in the 1940s. The concept of both was clear: 'Oxbridge' as an amalgam of Oxford and Cambridge referred to a collegiate education at an ancient university (with international reputation); Redbrick referred to the Victorian universities which often featured red bricks in their construction. The majority of them also had Classics departments. The argument therefore follows that if one does not exist then neither can the other. Stat Roma pristine nomine, nomina nuda tenemus. Far from suffer, many of us rejoice in a 'redbrick education'.” Simon W, London
“The claim that classical education is in decline in Britain is a popular one, but I'm afraid that it is not an accurate one. In fact, there are more students studying Classics at my university (Oxford) than ever before; moreover, Latin in schools has increased threefold in the last seven years, while there is increasing demand for Classics teachers in schools (according to an article by Chris Arnott in the Guardian Education section on 5th February this year).” James Morton, Oxford
“Boris may also remember the warning of Plato that those who should have power do not want it, and those who seek power should not have it.” M Owen, Manchester, UK
“Another example of Spartan wit can be found in Dienekes retort to the news that Persians would fire so many arrows as "to blot-out the Sun", to which he replied, "So much the better; we shall fight in the shade."” DS, Croydon, England
“Boris, bless his cotton socks, will also know that in Roman history populist rabble-rousing ends in failure (the Gracchii, Julius Caesar), the most successful politicians play a long game (Augustus) and that senatorial dignity is worth keeping. All of which should suggest a slow and measured approach to Mayoral office...” Mark, Reading
“And the Athenian leader Pericles left us the Parthenon. As the historian Thucydides said: "Suppose... that the city of Sparta were to become deserted, and that only the temples and foundations of buildings remained, I think that future generations would... find it very difficult to believe that the place had really been as powerful as it was represented to be. If, on the other hand, the same thing were to happen to Athens, one would conjecture from what met the eye that the city had been twice as powerful as in fact it is."” Anon, UK
“Imagine the situation... two politicians that had started political life at roughly the same time subsequently became very powerful and eventually rulers of their country. Infighting destroyed them both - once one had been removed, the other committed political suicide by pursuing a policy which had been unpopular amongst his contemporaries. Finally, a young political novice rose up from amongst the debris to steal the crown and rule for an unprecedented number of years. Answers on a postcard?” Tony, London
A Tragédia Grega: recepções e reescritas
A tragédia na cena actual
10h: Prof. Freddy Decreus (Ghent University): “The reptilian brain and the representation of the female in the productions of Theodoros Terzopoulos”
Ensaios sobre a tragédia e o trágico
11h – 13 h: José Pedro Moreira (Centro de Estudos Clássicos): “Alguns problemas de tradução e de interpretação no párodo de Agamémnon de Ésquilo”
Sofia Isabel Frade (Departamento de Estudos Clássicos/ Centro de Estudos Clássicos): “Lirismo a metro ou uma nova estética euripidiana? As odes corais de Fenícias”
Leontina Luís (Mestre em Estudos de Teatro): “A tragédia em cena : Mourning becomes Electra Teatro Nacional D.Maria II”
Tatjana Manojlovic (doutoranda em Estudos de Teatro): “Medea’s love: Hélia Correia’s Desmesura. Exercício com Medeia (2006)”
sexta-feira, maio 09, 2008
Casa de Augusto
Após mais de 20 anos de trabalhos de conservação, reabriu ao público o que resta da casa de Augusto, no Palatino, em Roma.
Ligações:
BBC (Inglês)
BBC (Português)
RTP
terça-feira, maio 06, 2008
Aquiles Ainda Corre? Os Paradoxos de Zenão e a Noção de Indivíduo
Recebo da Faculdade de Letras a seguinte informação:
Os Paradoxos de Zenão e a Noção de Indivíduo
Bertrand Russell afirmou que os avanços matemáticos do século dezanove conseguiram finalmente resolver o problema de Zenão de modo rigoroso e definitivo. A chave dessa solução é o isomorfismo entre o espaço e o tempo, por um lado, e o conjunto ordenado dos números reais, por outro. Muita gente subscreveu a afirmação de Russell. E, no entanto, o século vinte conheceu uma enorme expansão dos estudos sobre os paradoxos de Zenão. Será que, também filosoficamente, Aquiles ainda corre?
Nesta apresentação, discutirei nomeadamente se a experiência mental das máquinas de infinidade (como o candeeiro de Thomson) logrou efectivamente reabrir o problema de Zenão. Defenderei que não, argumentando que essa experiência coloca uma questão espúria.
Ricardo Santos
http://www.filosofia.uevora.pt/rsantos/home.htm
- Doutor em Filosofia pela Universidade Nova de Lisboa (2002).
- Professor Auxiliar da Universidade de Évora (desde 2006).
- Investigador do Instituto de Filosofia da Linguagem FCSH-UNL (desde 1997).
- Actual Presidente da Sociedade Portuguesa de Filosofia (desde 2006).
- Autor de Aristóteles: Categorias – Tradução, Introdução e Comentário (Porto Editora, 1995) e de A Verdade de um Ponto de Vista Lógico-Semântico (Fundação C. Gulbenkian, 2003) e de artigos diversos nas áreas da lógica, filosofia da linguagem, filosofia da acção e filosofia grega antiga.
- Em preparação: tradução anotada dos Primeiros Analíticos de Aristóteles (para as Obras Completas de Aristóteles em Português, em curso na IN-CM) e estudos sobre as ideias de Aristóteles acerca da verdade, do princípio da bivalência e do paradoxo do mentiroso.
- Coordenador do projecto de investigação Paradoxos: Dedutivos, Indutivos e Práticos, financiado pela FCT, no período 2008-2010.»
domingo, maio 04, 2008
Zambujal - Torres Vedras
Aqui podem ver fotografias de pior qualidade, tiradas com o telemóvel, de parte da exposição "Vasos Campaniformes", patente no Museu Municipal Leonel Trindade, em Torres Vedras. Há lá outras fotos sem relação com a exposição, como notarão...
A Fronteira Interior do al-Ândalus: a revolta de ‘Umar ibn Ḥafṣūn
Recordo que amanhã, dia 5 de Maio, se realiza uma conferência sobre História do al-Ândalus, na FLUL:
A Fronteira Interior do al-Ândalus: a revolta de ‘Umar ibn Ḥafṣūn, pelo professor Virgilio Martínez Enamorado (Universidade de Málaga) - 5 de Maio, 14:30h, Anfiteatro III da FLUL
quinta-feira, maio 01, 2008
Encontro Internacional de Arqueologia e Exposição "Vasos Campaniformes"
«De 1 a 5 de Maio decorre, a partir de Torres Vedras, um Encontro Internacional de Arqueologia, que tem como tema “Vasos Campaniformes: Símbolos de uma Comunidade Cultural Europeia há 5000 anos”.»
«Arqueologia: Há cinco milénios havia bastante marfim na Península Ibérica
Torres Vedras, 01 Mai (Lusa) - Vasos campaniformes em França originários da zona de Mafra e uma "concha do Mar Vermelho" encontrada no Castro do Zambujal (Torres Vedras) indiciam que, no III milénio Antes de Cristo, já existiam trocas comerciais regulares na Europa.»
quarta-feira, abril 23, 2008
al-Ândalus - conferências
O Centro de História da Universidade de Lisboa promove duas conferências sobre História do al-Ândalus, nos dias 29 de Abril e 5 de Maio.
Arabização e Islamização no al-Ândalus, pela professora María de Jesús Viguera (Universidade Complutense de Madrid) - 29 de Abril, 10:30h, Anfiteatro III da FLUL
A Fronteira Interior do al-Ândalus: a revolta de ‘Umar ibn Ḥafṣūn, pelo professor Virgilio Martínez Enamorado (Universidade de Málaga) - 5 de Maio, 14:30h, Anfiteatro III da FLUL
Para aprender a escrever
Entrevista de António Lobo Antunes, na LER de Maio de 2008 (p. 38):«Tem medo de que esse livro que está em poder das suas filhas seja publicado, um dia?
Não. Eu já cá não estou, não é? Medo não. Porque eu hei-de ser avaliado pelo melhor que fiz e não pelo pior. Sabe, nós agora estamos a comemorar o bimilenário do exílio de Ovídio. Ele dizia que a obra dele ia vencer o tempo, o fogo e o ferro. E venceu. Ele só fez coisas extraordinárias. Eu tento traduzir os poetas latinos. O meu latim é mau mas lá ponho o indicador no substantivo, o mindinho no verbo e tal.
Ainda continua a fazer esse exercício, hoje?
Sim. Para aprender a escrever.»
terça-feira, abril 22, 2008
Noite da Liberdade
Na noite de 24 de Abril a livraria LivrodoDia (Torres Vedras) celebra a Noite da Liberdade com uma sessão de leitura de poesia greco-latina. A sessão será às 22:00h, e estão todos convidados!
Anúncio oficial:
"Amanhã, 24 de Abril, em noite de cravos vermelhos na lapela, vamos fechar o Mês das Clássicas em grande, com a leitura de textos poéticos de gregos e latinos.
A dar voz estarão Luís Filipe Cristóvão e Mário Lisboa Duarte.
A sessão realiza-se na Livrododia - Centro Histórico, em Torres Vedras, e tem início marcado para as 22 horas."
segunda-feira, abril 21, 2008
Sit tibi terra leuis
domingo, abril 20, 2008
Festival Internacional de Teatro em Maio
14 de Maio de 2008
Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas (Sintra)
11h: Ifigénia em Áulide de Eurípides (Grupo de Teatro da Universidade de Alicante)
15h30: As Vespas de Aristófanes (Grupo Thíasos, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Entrada: 2,50€ (grupos escolares têm entrada livre, mediante reserva)
sexta-feira, abril 18, 2008
Descobertos novos textos de Santo Agostinho
Seis séculos debaixo do pó, seis sermões agora postos a descoberto. Textos inéditos de Agostinho de Hipona (354–430), uma das figuras maiores do cristianismo e da filosofia ocidental, autor das Confissões, foram descobertos na Biblioteca Ampoliana da Universidade de Erfurt (Leste da Alemanha).
A importância do achado mereceu ontem mesmo duas páginas no jornal oficial do Vaticano, L’Osservatore Romano, e referências no El Pais e na BBC. A história resume-se assim: o erudito Amplonius Rating de Berka doou, em 1412, 633 volumes manuscritos à universidade. Neles, incluíam-se os manuscritos agora descobertos, copiados durante a primeira metade do século XII, talvez em Inglaterra.
Os sermões (dois deles eram já parcialmente conhecidos) foram descobertos por três investigadores da Academia das Ciências de Viena. O manuscrito que os inclui passara até hoje despercebido.
“Supomos que os textos chegaram a Inglaterra do Sul de Itália, talvez antes do fim” do ano 1000, afirmou à BBC Isabella Schiller, da Universidade de Viena, que, com Dorothea Weber e Clemens Weidmann, descobriu os textos do bispo e “doutor” da Igreja.
De acordo com as informações já divulgadas, os sermões tratam temas como o amor ao próximo, a esmola e as festas dedicadas aos mártires Cipriano de Cartago, Perpétua e Felicidade. Outro dos textos debruça-se sobre a ressurreição dos mortos e defende a fidedignidade das profecias contidas na Bíblia.
O autor de A Cidade de Deus e criador do conceito de pecado original (“o princípio da História”, segundo o historiador Jean Delumeau) , nasceu na actual Argélia, converteu-se ao cristianismo, foi baptizado em Milão por Santo Ambrósio, em 387. Os seus textos (incluindo sermões) foram a forma de intervenção mais importante. Continua a ser um dos pensadores mais estudados: só entre 1955 e 1966 tinham sido publicados cerca de 55 mil textos sobre ele (1341 títulos por ano, em 41 anos).
quarta-feira, abril 16, 2008
O mito de Actéon - Interpretações e poetizações
sábado, abril 12, 2008
Fotografias!
Fotografias da interessantíssima sessão do Mês das Clássicas de hoje, na Livrododia, em Torres Vedras:
http://flickr.com/photos/peregrinationes/sets/72157604505578309/
quarta-feira, abril 09, 2008
Congresso Internacional da APEC
segunda-feira, abril 07, 2008
Berlusconi gostava de conhecer Júlio César para lhe falar em latim
Noticia a BBC.
quarta-feira, abril 02, 2008
Literatura Clássica e Portuguesa em Abril, em Torres Vedras
O programa é o seguinte:
Cristina Pimentel e Arnaldo Espírito Santo (ambos Professores Catedráticos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)
Sobre Trindade, de Santo Agostinho.
12 de Abril - 16 horas
Paulo Farmhouse Alberto (Professor Associado com Agregação da FLUL) e Ricardo Nobre (Investigador do Centro de Estudos Clássicos da UL)
Sobre Metamorfoses, de Ovídio e a recepção dos clássicos na Literatura Portuguesa de Oitocentos.
19 de Abril - 16 horas
José Pedro Serra (Professor Auxiliar da FLUL) e Ana Maria Tarrío (Professora Auxiliar da FLUL)
Sobre Tragédia Grega e a recepção dos clássicos no Humanismo Português.
24 de Abril - 22 horas
Sessão de Leitura de Poesia Clássica, festejando a Noite da Liberdade (programa a anunciar).
Blogue da Livrododia:
http://www.diariodeumlivreiro.blogspot.com/
segunda-feira, março 17, 2008
Latim em vez do inglês
Algumas empresas espanholas começam a substituir o inglês pelo latim na hora de dar o nome a novas marcas e produtos.
Vender después de morir; latín y griego desplazan al inglés en las empresas
¿Qué tienen el latín y el griego que las empresas recurren a ellos para convencernos de sus bondades? ¿Por qué nos invitan a invertir en “Criteria” o en “Solaria” o en “Dinamia” o en “Eolia” y una carta de vinos parece una traducción de Julio César?
De la vieja moda de nombres anglosajones para inducir la idea de que el producto era novísimo y eficaz sólo quedan, entre las ciento veintiocho empresas que integran el mercado continuo de la bolsa española, cuatro cuya denominación remita al inglés.
Son Bankinter, Service Point, Jazztel — todas ellas añosas — y la más joven Vueling. Frente a ellas, sólo en este año, se han estrenado en el mercado Realia, Solaria y Criteria, que se suman a las también relativamente nuevas Logista y Dinamia o a veteranísimas como Argentaria. Y fuera del continuo, Itinere, Globalia, Eolia, todas ellas de creación reciente.
Como comenta con humor el académico de la lengua y lexicógrafo José Antonio Pascual, los nombres de inspiración anglosajona tienen ya su más importante reducto en los “pubs”, que usan el genitivo sajón — ese “Diego’s”, por ejemplo, que tanto luce en bares de carretera —, y en las peluquerías, en esta ocasión con esa “coma volada” al principio de la palabra: “S’tilo”.
Y si de los nombres de las empresas pasamos a las marcas de sus productos, el aluvión es mayor. Una carta de vinos es una clase de latín o de griego: Oremus, Aurus, Primium, Augustus, Plácet, III Milenium, Thermantia, Protos. Claro que en vinos es comprensible, nadie asocia lo anglosajón con los placeres; y con los del gusto, menos.
Pero también ocurre con las marcas de los coches: Vel Satis, Modus, Clío, Signum, Focus, Transit, Phaetón, Auris, Prius, Micra, Ypsilon, Fabia, Octavia...
Esta elección de nombres por parte de las multinacionales del automóvil muestra cómo el fenómeno es universal, no sólo español.
¡Si hasta en productos con tan poco brillo social como los jabones para fregar platos nos encontramos un “Quantum” y una variedad “Supra plus”!
El griego da prestigio
Pero ¿por qué ese cambio? Fernando Beltrán, fundador de la empresa “El nombre de las cosas”, dedicada precisamente a eso, a crear nombres para empresas, dice que la moda se explica porque “las palabras clásicas son eufónicas — suenan bien — e internacionales, pues se entienden en casi todos los idiomas occidentales; hasta el idioma inglés tiene muchas más palabras de origen latino y griego de las que nos creemos”.
Además “aportan prestigio a lo que nombran, el prestigio de lo clásico, lo que acaba dando un valor de garantía y seriedad a esas empresas o productos nombrados”.
A José Antonio Pascual el asunto le hace gracia: “Abandonamos el conocimiento de la literatura clásica, no sabemos qué son las sirenas, que volaban, ni que Calypso había tenido allí, en la isla, a Ulises, y sin embargo estamos creando marcas con el latín y el griego. Es muy bonito”.
“Yo tengo hecho — añade el académico — un trabajo sobre el “alia”, que se ha convertido en un sufijo nuevo — habitalia, noctalia, realia, animalia... — que parece evocar una gran estructura, con apariencia de colectivo y da prestigio. He recopilado ya unas 200 palabras con esta terminación”.
Pero este uso de sufijos del latín es un fenómeno muy extendido que no se limita al mundo de las empresas, recuerda Pascual. En nuestra vida cotidiana hay una tendencia creciente a sustituir el sufijo “dero” por el “torio”, que es lo mismo pero en latín.
“No olvidemos que decimos sanatorio y no sanadero y ambulatorio... Los sufijos en ‘dero’, comedero, bebedero se han degradado con el tiempo y entonces recurrimos directamente al ‘torio’, y hasta se construyen disparates como tanatorio, porque los finales en dero o en torio se hacen con verbos y tánatos es un sustantivo”.
También a Fernando Beltrán le parece “curioso que se supriman las asignaturas de latín y griego de los estudios de bachillerato, considerándolas casi como asignaturas anacrónicas y anticuadas, y el mundo de las marcas — teóricamente el que refleja “el latido” del marketing y la comunicación más actuales y vanguardistas —, esté al tiempo inspirándose en el mismo y con resultados sorprendentes entre las generaciones más jóvenes”.
Morir de éxito
Pero el fenómeno puede morir de éxito o, visto desde otra óptica, de indigestión. Beltrán cuenta que “se ha abusado ya tanto de ellos, que su moda pasará en los próximos tiempos. De hecho, a nosotros hay clientes que al igual que antes te pedían que el nombre a crear ‘no sea en inglés’, ahora te dicen que ‘no sea un nombre latino’.
“Están ya por todas partes, dice Beltrán, mientras que antes casi se utilizaban exclusivamente en ámbitos culturales, académicos, o en el mundo de la medicina, que siempre fue amigo de los nombres de origen clásico, por ser fieles al nombre original de los componentes de cada medicamento”.
Pascual lo expresa diciendo que “el exceso banaliza”. Si se saturan tanto los términos latinos que hasta se relacionan con un detergente, puede pasarles lo que a la música clásica. Lo peor que te puede ocurrir es oír una musiquilla clásica asociada a un detergente. “Lave su ropa con persil” ha machacado la “Marcha nupcial”.
Así será en el futuro, pero desde luego no es el caso ahora mismo, como demuestra “Aquaria”, que ha rizado el rizo del amor al clasicismo cambiando su nombre latino por el no menos clásico de “Fluidra”, con esa referencia al término griego que designa el agua: hidra. Y ello, por su salida a bolsa.
domingo, março 16, 2008
Pensadores e Lusosofia
O PÚBLICO inicia amanhã, dia 17, a publicação da colecção “Grandes Pensadores”, distribuída com o jornal todas as segundas-feiras, até 28 de Julho. Nos livros, de aproximadamente 300 páginas cada (e de capa dura), dá-se uma perspectiva sobre a vida e obra de 21 filósofos e pensadores:
1.º volume (17 de Março): Platão e Sócrates
2.º volume (24 de Março): Aristóteles
3.º volume (31 de Março): Séneca
4.º volume (07 de Abril): Santo Agostinho
5.º volume (14 de Abril): São Tomás de Aquino
Os restantes volumes são sobre Descartes, Pascal, Rousseau, Adam Smith, Kant, Hegel, J. Stuart Mill, Darwin, Marx, Nietzsche, Freud, Ortega y Gasset, Popper, Sartre, e Claude Levi Strauss.
Claro: haveria outros tão ou mais importantes para incluir na colecção, mas, tal como em qualquer antologia, algum há-de ficar sempre de fora.
Na Rede
A recém-criada página Lusosofia: Biblioteca On-Line de Filosofia (dinamizado pelo Instituto de Filosofia Prática da Universidade da Beira Interior) tem por objectivo disponibilizar em português textos da área da Filosofia.
Interessa-nos, no âmbito deste blogue, dar relevo às traduções de alguns textos clássicos da Filosofia, visto que o sítio pretende ser “[u]m repertório de textos clássicos significativos, sobretudo já no domínio público, vertidos a partir das línguas originais e procedentes de todas as épocas, relativos aos temas fundamentais da reflexão filosófica. Comporá por isso, assim esperamos, uma espécie de simpósio universal que acolhe diferentes tipos, tendências e estilos de filosofar, onde se descobrirá decerto a marca e o estigma de tempos e mundos diversos, mas também uma espécie de vitória sobre o tempo devido à premência e à perenidade das questões.” Já em lista para disponibilizar em breve estão textos de Aristóteles (Metafísica, livro XII) e de S. Tomás de Aquino (Os princípios da natureza, A eternidade do mundo, As criaturas espirituais, e algumas Quaestiones de veritate). Outros, certamente, se seguirão.
O portal tem ainda como objectivo dispor de ensaios sobre questões filosóficas. Destaco o artigo “Da Ambiguidade da Música na Antiguidade tardia e no Pensamento de St.º Agostinho”, de José Silva Rosa, já disponível.
Resta referir que os textos estão num cómodo formato pdf.
segunda-feira, março 10, 2008
Casa de Augusto aberta
A mesma notícia refere que, a partir de agora, a visita ao fórum romano passa a ser cobrada (11€), tendo em vista o financiamento de projectos de investigação e restauração futuros.
Ver a notícia.
Ler a notícia.
Grécia: Descoberto túmulo da época micénica no Oeste da Grécia
Notícia da RTP:
O túmulo continha várias sepulturas e numerosos objectos, como fragmentos de vasos em terra, pedras preciosas em esteatite e pérolas em diversos materiais.
Nenhum vestígio micénico tinha sido até hoje registado nesta ilha, "e a descoberta do túmulo traz uma nova dimensão à pesquisa", afirmou, em comunicado, o Ministério.
O túmulo foi descoberto durante os trabalhos de alargamento de uma estrada na Província de Ágio Nikita.
ALF.»
Aquele "ioniano" ali é que até arrepia... Não há dicionários na RTP?
domingo, março 09, 2008
Tácito na BBC Radio 3
Tácito (que viveu na segunda metade do século I d.C.; terá morrido por 117) é considerado o maior historiador latino. Escreveu sobre o início do império romano, dedicando os seus Anais aos principados de Tibério, Calígula (porção de texto actualmente perdida), Cláudio, e Nero. Nas Histórias, escreve sobre as guerras civis do ano 69 (“o ano dos quatro imperadores”, Galba, Otão, Vitélio, e Vespasiano), que ocorreram após a morte de Nero; a obra continuaria pelo principado de Tito, até Domiciano, mas só nos restam os cinco primeiros livros. Escreveu ainda um tratado sobre os povos da Germânia (Germânia), a biografia do seu sogro (Agrícola), e, advogado e orador exímio, um diálogo sobre a decadência da oratória (Diálogo dos Oradores).
Foi a prosa de Tácito que moldou a nossa visão dos imperadores romanos, bem como a do senado e da corte imperial. No entanto, e no âmbito dos estudos literários, o seu valor reside principalmente na concepção das suas personagens (individuais, mas também colectivas), e no seu estilo inconfundível (e difícil). Em Tácito, lemos a incerteza do Homem e da condição humana, a profundidade psicológica das personagens, que é a nossa, conhecemos o maior vilão a ser redimido ou o grande herói a perder a coragem à hora da morte. Há também a rectidão de princípios e a aceitação da morte com a maior das dignidades em personagens como Trásea Peto. Lições de vida. Tácito foi o autor que escreveu os acontecimentos do nosso imaginário (como o grande incêndio de Roma, ou a vida militar na Antiguidade). Igualmente importante é a reflexão sobre a História.
Actualmente, destacam-se as seguintes traduções dos Anais, para línguas modernas:
- para inglês: The Annals, trad. Anthony John Woodman (Indianápolis: Hacket Publishing, 2004).
- para francês: Tacite, Annales, trad. Pierre Grimal (Paris: Gallimard, 1993).
O programa (de 15 minutos por dia) vai para o ar às 23h e pode ser ouvido até uma semana depois de ter sido transmitido. Em Portugal, pode escutar-se a BBC Radio 3 no sistema BBC iPlayer.
sexta-feira, março 07, 2008
Traduções: O Político e Tratado da República
O primeiro volume desta colecção é O Político de Platão, com tradução, introdução, e notas de Carmen Soares. “Obra em diálogo escrita no século IV a.C., O Político revela a importância que Platão atribui à arte de governar, na sua perspectiva a arte suprema. O filósofo grego aborda aqui, sobretudo, o perfil do homem político, ou seja, aquele que na sua perspectiva possui a rara habilidade de saber conduzir os homens.”
O segundo volume é a tradução do De Republica, de Cícero (“Tratado da República”), feita por Francisco de Oliveira, a sair em breve.
Outros títulos da colecção: O Príncipe de Maquiavel, Tratado Político de Espinosa, Testamento Político de Richelieu, O Contrato Social de Rousseau, O que é o Terceiro Estado? de Sieyes, Defesa da Sociedade Natural de Burke, Discursos à Nação Alemã de Fichte, Investigação sobre o Governo de Calhoun, e O 18 de Brumário de Marx.
Nota: as citações feitas neste artigo são retiradas da revista do Círculo de Leitores (n.º 176), pág. 41.
domingo, março 02, 2008
Eurípides na BBC Radio 3
Em alternativa, pode escutar os episódios, até uma semana depois de o programa ter ido para o ar, no sistema BBC iPlayer.
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
A Guerra na Antiguidade III
A inscrição importa em 5€, com certificado, mas a entrada é, naturalmente, livre.
As comunicações são, como noutras ocasiões, de luxo:
- “A Anabasis de Xenofonte, meu primeiro livro de Guerra Antiga: de Aquilino a Roger Vailland” (João Medina);
- “A Regra da Guerra ou a «Ordem Militar» de Qumrân” (José Augusto Ramos);
- “Senaqueribe e Jerusalém (701 a.C.): «reciclagens» bíblicas da guerra psicológica assíria” (Francolino Gonçalves);
- “A crise política e militar de Šamaš-šumu-ukin no reinado de Assurbanípal” (Francisco Caramelo);
- “E a «Espada de Aššur» abateu-se sobre a Fenícia…” (António Ramos dos Santos);
- “A batalha contra os «Povos do Mar»” (Luís Manuel de Araújo);
- “A batalha de Ráfia (217 a.C.) e o «nacionalismo» egípcio do período ptolemaico” (José das Candeias Sales);
- “A guerra e as armas no Portugal pré-romano” (Ana Margarida Arruda);
- “«Nós matamos, possamos nós matar». O hoplita e a falange. O triunfo da infantaria simétrica no Mundo Antigo” (José Varandas);
- “Em honra de Ares. Do sacrifício humano como oferenda bélica no mundo greco-romano” (Nuno Simões Rodrigues);
- “As Termópilas (480 a.C.), entre o mito e a realidade: perspectivas” (André Oliveira Leitão);
- “Carros de combate na Antiguidade: de plataforma móvel de tiro a sinal de prestígio” (Pedro Gomes Barbosa);
- “Os soldados na Lusitânia romana, na guerra e na paz. Uma perspectiva histórico-epigráfica” (Amílcar Guerra);
- “Em busca do exército romano da conquista: indicadores indirectos no registo arqueológico” (Carlos Fabião);
- “Bellum atrox uictis et uictoribus: o flagelo das guerras civis na historiografia de Tácito” (Cristina Pimentel);
- “As armas ligeiras do exército romano: análise comparativa República/Império” (Miguel Sanches de Baêna);
- “Defesa, combate e objectivos imperiais na Hispânia tardia” (Adriaan de Man).
Falta referir que os trabalhos começam às 9h no Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
Iniciação ao Latim
Todas as informações sobre o funcionamento das aulas, materiais de apoio, etc., aqui.
terça-feira, fevereiro 19, 2008
Sociedade Ibérica de Filosofia Grega
«Realiza-se no próximo dia 29 de Fevereiro de
O Investigador Responsável
Prof. Doutor António Pedro Mesquita»
domingo, fevereiro 17, 2008
Mundo clássico hoje - Audax

O que me leva a escrever este texto é, claro está, o nome do concurso: o adjectivo latino audax, acis, que concentra em si as qualidades de alguém que queira introduzir a sua ideia de negócio na economia: ‘audacioso, ousado, corajoso, resoluto, atrevido, temerário, presunçoso, impudente’.
SPHAERA MUNDI: A CIÊNCIA NA AULA DA ESFERA

Do meu colega Bernardo Mota, da FLUL, recebo a seguinte informação:
Estão todos convidados a aparecer.
A «Aula da Esfera» do Colégio de Santo Antão foi uma das mais marcantes instituições de ensino e de prática científica em Portugal, tendo sido, durante quase dois séculos, o principal centro de formação dos quadros técnicos e científicos (cosmógrafos, engenheiros, etc.) de que o país necessitava. Integrada na vasta rede supranacional de centros de ensino da Companhia de Jesus, foi também o local de passagem de professores das mais variadas proveniências, o foco de intercâmbio com os mais avançados centros científicos da Europa, a porta de entrada em Portugal dos mais importantes descobrimentos da nova ciência.
A exposição "Sphaera Mundi: A Ciência na Aula da Esfera" procura dar uma imagem da vitalidade e riqueza desta singular instituição científica, em áreas tão diversas como a matemática, a astronomia, a cosmografia, a estática e a hidráulica, a óptica, a engenharia militar, a construção de instrumentos, etc., bem representadas na colecção Manuscritos da BNP.
Na organização da exposição colaboraram Henrique Leitão (Comissário Científico; CHCUL), Samuel Gessner (CHCUL) e Bernardo Mota (CHCUL-CEC).»
terça-feira, fevereiro 12, 2008
Estudos Clássicos é “opção estratégica para o país”, diz ministro
Se se critica constantemente o governo por várias posições que se adoptam, é de louvar quando se percebe a necessidade da divulgação e desenvolvimento de certas áreas — as artes, naturalmente, mas principalmente (tema central neste blogue) os Estudos Clássicos: as literaturas latina e grega antiga, as suas culturas e relações com a literatura e cultura portuguesas, etc.
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Temas Clássicos na Literatura Portuguesa
Da autora, penso que nada há a dizer que não se saiba já: Professora Catedrática (a primeira mulher a assumir esse grau) Jubilada (1995) da Universidade de Coimbra, é autora de uma extensa obra sobre literatura grega e cultura clássica. As suas diversas traduções de Platão, Sófocles, Píndaro, etc., etc., são por todos consideradas modelo.
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
In memoriam: Don Manuel Díaz y Díaz
A sua bibliografia é vastíssima, compreendendo centenas de publicações, listadas em parte no volume XXII da revista Euphrosyne (pp. 357-367), do Centro de Estudos Clássicos da FLUL.
Poucas palavras para homem e obra tão imensos. Dele guardo várias memórias. Como aquela noite em que caminhámos juntos, lentamente, em silêncio, olhando a luz espantosa das paredes da Catedral de León. Nunca tive jeito para elogios fúnebres.
Fica o desafio para todos os leitores deste blogue, no sentido de partilharem as suas impressões sobre este grande Homem.
História Perdida: Uma exposição acerca do comércio ilícito de antiguidades no mundo
O Museu Nacional de Arqueologia de Lisboa apresenta até 23 de Março de 2008 a exposição História Perdida: Uma exposição acerca do comércio ilícito de antiguidades no mundo, da Fundação Helénica para a Cultura.Da página do MNA:
É famosa a remoção dos Mármores do Parténon [sic] por Lord Elgin, em 1801. Menos conhecida é a extensão do saque de sítios arqueológicos em todo o mundo, actualmente: de tal modo que grande parte das antiguidades que aparecem à venda no mercado de arte foram ilegalmente escavadas e retiradas clandestinamente do seu país de origem (...)
quinta-feira, janeiro 31, 2008
VII Congresso Internacional da APEC
quarta-feira, janeiro 30, 2008
Antígona na Barraca a partir de sábado

A profundidade de Sófocles a analisar problemas como a fractura entre a lei natural e a lei do estado. A contradição entre a Justiça e a Lei, a tirania que se serve de decretos casuísticos para fundamentar e apoiar a sua “vontade de poder” e a desobediência de quem se torna intolerante perante o domínio do arbitrário transformado em lei, fazem de Antígona o texto mais exemplar e duradouro da tragédia grega.
Depois de um enorme percurso sobre as Antígonas da dramaturgia universal A BARRACA fixou-se no texto luminoso de Sófocles. A peça com 2500 anos é ainda uma lição sobre os extremismos dos nossos dias. O conflito que opõe Antígona ao poder autoritário acaba por ser o elogio do equilíbrio e do diálogo como forma de salvar as democracias.
Elenco: Rita Lello (Antígona), José Medeiros (Creonte), João D’Ávila, Jorge Gomes Ribeiro, Maria do Céu Guerra, Mariana Abrunheiro, Rita Fernandes, Pedro Borges, Ruben Garcia, Sérgio Moras, Tiago Cadete
Horários: de quinta-feira a sábado, às 21h30; domingo às 16h.
Bilhetes a 12,5 € (menores de 25 anos, maiores de 65, estudantes, reformados, e grupos com mais de 15 pessoas: 10€); às quintas, é preço único, 5€.
quinta-feira, janeiro 24, 2008
Roma traduzido
terça-feira, janeiro 22, 2008
É já amanhã!
segunda-feira, janeiro 21, 2008
De Grécia e Roma, raízes do Ocidente
De Grécia e Roma, raízes do Ocidente
terça-feira, janeiro 15, 2008
Mundo clássico hoje - o centauro do Banif
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Agostinho no ar
Gonçalo M. Tavares na F.L.U.L.

Gonçalo M. Tavares, "a história de Aurius Anaxos", in Histórias Falsas, Campo das Letras, 2005
A ideia de o convidar para participar no Clube das Clássicas surgiu no início de 2007, quando tardiamente tomei contacto com a sua obra. Eram as Histórias Falsas, uma colecção de contos, muitos deles com temática clássica. Preso à sua narrativa, comecei o processo, que ainda levo a cabo, de ler a sua obra completa - imensa, para um autor tão novo. Faltava, no entanto, contactá-lo, formular o convite. A ocasião surgiu em Dezembro de 2007, quando tive a oportunidade de conhecer o Gonçalo numa interessantíssima sessão de lançamento do seu último romance, Aprender a rezar na Era da Técnica, na livraria Livrododia, em Torres Vedras. Mais do que uma sessão de lançamento, foi um bom par de horas de conversa animada, agradável e interessante, sobre literatura, mas não só. Formulei-lhe, no final, o convite, e o Gonçalo aceitou de imediato.
Assim, dia 23 de Janeiro de 2008, às 18 horas, no Anfiteatro III da FLUL, teremos connosco Gonçalo M. Tavares, para conversar sobre a sua obra, sobre literatura, mas não só. E estão todos convidados!
http://clubedasclassicas.blogspot.com
sexta-feira, janeiro 11, 2008
Ruínas de S. Cucufate fechadas
Desde a extinção do IPPAR que muitos têm sido os problemas criados pelo novo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, tendo em vista a redução, a todo o custo, de despesas — mesmo que isso signifique fechar a cultura portuguesa.
domingo, janeiro 06, 2008
quarta-feira, janeiro 02, 2008
Influências greco-latinas na língua árabe X
Não há, nunca é demais repetir, dicionário etimológico da língua árabe, o que não deixa de ser estranho e lamentável para uma língua tão importante e rica. Para as raízes semitas a solução é procurar num bom dicionário etimológico do hebraico. Para os empréstimos de outras famílias linguísticas, é quase o deserto. Vão valendo alguns dicionários ocidentais, como o monumental Arabic–English Lexicon, de Lane, que no entanto só é da lavra do grande arabista até à letra ق (qāf), a 21ª de um alfabeto de 28 letras - 29, se considerarmos a glotal ء (hamza), que no entanto não tem entrada individualizadas nos dicionários que conheço. O trabalho, interrompido na letra qaf pela morte de Lane, o foi completado pelo seu sobrinho, L. S. Poole, não passando então, segundo a generalidade dos especialistas, de um esboço.
Vem isto a propósito da dificuldade que o aprendiz de arabista, como é o meu caso, não dominando ainda a bibliografia, tem ao querer datar empréstimos greco-latinos na língua árabe clássica. Acresce o facto de o árabe clássico ter o seu nascimento efectivo apenas no século VII, com a passagem a escrito do Alcorão, durante o califado de Uthman (644-656), não obstante alguns testemunhos esparsos e escassos de uma poesia árabe pré-islâmica, e algumas inscrições desde o século VIII a.C.. Portanto, é tarefa inglória tentar datar a entrada de uma palavra latina ou grega no árabe clássico, conseguindo-se, na melhor das hipóteses, uma cronologia relativa, muitas vezes fazendo valer o que se sabe não tanto da língua árabe, mas sobretudo da latina ou grega.
É o caso de “piscina”, palavra latina que foi tomada de empréstimo pelo árabe, sob a forma فسقية [fis'qijah], significando “fonte”. Não consegui ainda tirar a limpo a data da primeira atestação – apenas posso garantir que não está no Alcorão.
Há alguns aspectos interessantes no processo de tomada de empréstimo desta palavra:
a substituição de [p] por [f] – o árabe clássico e moderno padrão não tem o som [p], substituindo-o, nos empréstimos, por [f] ou [b];
o alongamento da penúltima sílaba, reconstituindo assim a tonicidade e quantidade latinas;
o acrescento da consoante final ة (tā marbŭt̪ˁa), que é marca genérica de feminino, sendo pronunciada [h] em posição final absoluta, e [t] antes de qualquer vogal;
a eliminação da nasal [n], com a consequente criação de um ditongo – e que os meus ainda frágeis conhecimentos de linguística árabe não me permitem explicar;
a substituição de [k] por [q], uma tendência que tenho observado ser quase absoluta, e que não deixa de ser curiosa, uma vez que o árabe possui o som [k]; apesar disso opta quase invariavelmente pelo [q], quando se trata de empréstimos.
Este último aspecto pode dar algumas pistas para conjecturar uma entrada da palavra em data recuada, uma vez que testemunha uma pronúncia ainda oclusiva surda da consoante |c| antes de |i|. Não me parece que se possa observar aqui um simples fenómeno de tradição ortográfica, uma vez que esses fenómenos costumam ocorrer sobretudo com nomes próprios, sendo uma hipótese alternativa para a القيصرية [al qajsˁa'riya], que deu o português “alcaçaria”, e que deriva de Caesar, entendido no sentido lato de governante.
Les Mages Hellénisés
"Zoroastre, Ostanès et Hystaspe d’après la tradition grecque
Joseph Bidez & Franz Cumont
Nouvelle édition 2007, toilé
Ainsi parlait Zoroastre. La religion perse vue par les Grecs.
Parmi les religions de l’Antiquité, le zoroastrisme est la seule qui non seulement fut la foi d’un très grand peuple, les Perses, pendant des siècles, mais a réussi à se conserver à travers le Moyen Âge et jusqu’à nos jours. Même si l’Empire perse fut toujours la menace majeure des Grecs, ces derniers ne manquèrent cependant pas de s’intéresser au « père mythique » du dualisme iranien et à ses successeurs.
Ce livre part à la rencontre de ce Zoroastre grec, à l’origine des oracles chaldaïques, et des deux plus grands mages héritiers de son savoir, Ostanès et Hystaspe. Mystérieux et inquiétants, ils auraient inventé la magie, qui leur doit son nom, initié Démocrite et fait apparaître bien des démons maléfiques lors de sacrifices nocturne.
Érudit et passionnant, Les Mages hellénisés rassemble et commente les témoignages grecs relatifs à Zoroastre, Ostanès et Hystaspe. La première partie de l’ouvrage, toute entière dédiée à l’introduction, se révèle une véritable initiation au zoroastrisme et présente en détail la vie, les œuvres et les doctrines du maître ainsi que de ses successeurs. La deuxième partie recueille et commente les différents témoignages. Des notes abondantes et documentées accompagnent la lecture. L’ouvrage est en outre enrichi d’appendices et de nombreux indices.
91.00 Euros
Nb de pages : 412
Année de publication : 2007"


